quarta-feira, 13 de junho de 2012

O início da dor.

Tudo claro, dia normal! Trabalhei, vendi um carro no serviço e as 20:00 fui para acasa. fui á pé mesmo pois moro perto do trabalho. Estava contando os dias para tirar umas férias merecidas em Cabo Frio, na região dos lagos do Rio de Janeiro. A casa de veraneio já estava paga e faltavam poucos dias para a viagem.
Ia pensando em tudo que estava sendo programado para fazer quando chegasse lá e ia caminhando para casa, andar, pensando em férias era bem melhor, nem sentia a caminhada. A única coisa que me incomodava era uma dor absurda na minha nuca e que se irradiava pela cabeça, mas essa dor já me acompanhava a pelo menos oito dias; eu já estava me habituando com ela, estava passando por uma situação desgastante e muito penosa em meu emprego antigo e minha pressão arterial devia estar nas alturas.
Cheguei em casa e não sei por que resolvi fazer um feijão. É me deu vontade de comer um feijão, mas o feijão que eu faço, com carne seca, paio, rabinho, lombo e etc. E fiz, pus a panela para ferver com os ingrediente, descasquei o alho, bastaste alho pois adoro, cortei a cebola para fazer o refogado e como estava muito quente, abri uma latinha de cerveja e fui lá para o quintal conversar com o Mario (Um dos meus enteados) esperando o meu feijão ficar pronto. A porra da dor de cabeça não dava trégua, doía sem dó nem piedade.
Num gole terminei minha latinha de cerveja. deixa eu fazer um adendo. A primeira lata é para matar o calor sufocante e da segunda em diante, é para saborear.
Havia parado de fumar há duas semanas, mas sempre tinha um maldito cigarro guardado para uma emergência, e o acendi...
A dor de cabeça ficou mais intensa, mas fui administrando e conversando com o Mário ou melhor, pedindo pelo amor de Deus para ele não contar para sua mãe que eu havia fumado, pois como tenho um histórico familiar de cardiopatas, estava muito acima do peso e levava uma vida sedentária, para ter um infarto era um pulo. Como o Mário é um cara "manero" e muito meu amigo prometeu não me entregar para a sua mãe.
Abri outra latinha e acendi outro maldito cigarro e ficamos conversando sobre a vida, sobre a viagem, sobre porra nenhuma. Neste intermeio chegou o Bruno (meu outro enteado) junto com sua namorada e ela ao me cumprimentar disse que um dos meus olhos estava super vermelho eu brinquei dizendo que tinha fumado Maconha, rimos, brincamos e a dor não passava. Apaguei o maldito cigarro e fui ver meu feijão, tirei a pressão da panela e ele estava simplesmente magnifico com aquele monte de salgados borbulhando nele.
Tomei meu banho, e enquanto tomava banho ficava pensando em como resolver a situação de como receber a minha rescisão do meu antigo emprego, pois apesar de ter "ralado" me esforçado ao máximo abdicando até da família para conseguir bons resultados, eles mandaram eu procurar meus direitos. Fiquei puto, pois vivia pela empresa, suava pela empresa, deixava de fazer programa com a família pela empresa, e agora me mandam procurar meus direitos. Eu tava super estressado. Terminei meu banho, escovei bem os dentes pra tirar o gosto do cigarro e fui para a sala com os "meninos" "zuar" e esperar a Mariângela, minha esposa, chegar do trabalho. Ela dá aula em duas escolas e uma delas é a noite, vai até as 23:00.
Ela chegou e se espantou com um de meus olhos vermelhos e veio a brincadeira de praxe dizendo que eu havia fumado Maconha e etc.
Falei para ela esperimentar o feijão que eu havia feito mas ela se recusou a comer um feijão á uma hora daquelas. Fui a cozinha e fiz o meu prato, feijão, pimenta e farinha (Eu adoro) e fui para comer na sala para conversar com as pessoas. comi, lavei meus talheres e o prato, escovei meus dentes e fui deitar. A dor de cabeça estava insuportável, pedi um comprimido de um analgésico para a Mariângela para conseguir tentar dormir. Tomei o comprimido e quase que imediatamente meu braço esquerdo ficou todo "enformigado" e dormente, achei estranho e me levantei, e a perna esquerda estava da mesma forma meu lado esquerdo estava "bobo", pedi para ir ao Hospital, aquilo não era normal. Como minha família é Espirita Kardecista e eu também, achamos que era algum irmão do plano espiritual precisando de ajuda, minha esposa fez o transporte e veio um Preto Velho dizendo que não era nada e que tudo ia passar e mandava eu esquecer velhos hábitos ( Fumar), dizia em sua sapiência que tudo ia dar certo. Me senti um pouco melhor e fui para a sala aguardando melhorar, pois odeio Hospital. Comecei a piorar e alguma coisa dizia que eu não voltaria mais para casa, tive uma sensação estranha de morte mas não falei nada com ninguém, só tirei meu relógio, meu anel de São Jorge e minha aliança, e rumamos para o Hospital.
Ao chegar lá, fui logo atendido, pois era de madrugada e pelo que eu vi o meu caso era um pouco grave, pois me atenderam de imediato, falei normalmente os meus sintomas e de imediato fui submetido a uma tomografia, lembro que enquanto o resultado não saia eu estava tentando convencer a uma enfermeira a trocar de carro, falei das taxas de juros e inclusive eu tinha o carro dos sonhos dela em estoque. Tava tudo "normal" para mim, até o médico entrar na enfermaria e me crivar de perguntas, chamou minha esposa e falou que eu tinha tido um AVC, um sangramento no tronco cerebral e e que eu poderia entrar em coma á qualquer hora, meu caso era muito grave, chamaram a ambulância para me transferir para o Hospital apropriado, só pediu para que eu fizesse o máximo de esforço para não dormir, mas não aguentei, dormi.













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