segunda-feira, 18 de junho de 2012

Minha filha Lygia

     Esse filme, "O Nosso Lar", Estava passando também na minha primeira internação, no meu primeiro AVC. O filme para quem não sabe é uma obra psicografada de Chico Xavier, do espírito de Andre Luis, é simplesmente fantástico, até quem não é seguidor da doutrina espírita, deveria ver, e quem sabe entender melhor quem nós somos e as consequências de certas atitudes tomadas! Nada fica impune!
     Entramos no quarto e o que eu mais queria era um banho de chuveiro pois a doutora Monica havia autorizado! Imagina eu, cheio de tubos e fios ligados a mim querendo tomar banho de chuveiro!? Tinha que desligar tudo, ver se eu conseguia respirar sozinho, se meu pescoço ficava firme, ereto, dava uma puta mão de obra, mas quem me conhece sabe, eu sou chato pra caralho quando quero alguma coisa, e eu queria tomar banho, de chuveiro! Fazia gestos, cara de mau, chorava, chantageava a Mariângela, fiz um inferno, mas consegui, depois de cinco dias eu TOMEI MEU BANHO! Foi foda, quase que eu desisti, quando conseguiram me colocar sentado, deu uma puta tontura tiraram o meu respiradouro e eu fiquei sem ar, essa "brincadeira" durou mais de uma hora. A enfermeira saiu, pois ela não podia ficar cuidando só de mim e deixou tudo a cargo da Mariângela, ela conseguiu me colocar numa cadeira de banho e foi maravilhoso!
     Estava internado já a vinte e quatro dias, me alimentando e bebendo água  por sonda, quando a minha boca ficava muito seca, passavam uma gaze embebida em água em meus lábios. Comecei a perturbar, que queria água de coco, escrevia, perturbava, chantageava e... Consegui! Mariângela comprou água de coco para mim, do jeito que eu gosto, trincando de gelada, molhava meus lábios, mas mesmo assim eu consegui beber, sugava com uma puta força e bebia! Consegui com isso outra pneumonia!
     Passado alguns dias tive uma notícia fantástica, minha filha que eu não via a dezoito anos estava chegando, veio me ver! Chorei muito quando eu soube, mas quando eles chegaram eu me mantive firme, sem choro eu acho.      


     Aí estão, o Bruno, eu, Rafael e a Lygia nos corredores do hospital! Eu não ficava ainda de pé tinha que usar uma cadeira de rodas.

      Rafael, eu e Lygia!
      Por incrível que pareça a presença dela me deu mais ânimo, mas vontade de sair dali, de voltar a falar pra pedir perdão, apesar que amar é jamais ter que pedir perdão, li isso num livro, Love Story.
      A minha Leoa, Mariângela, também aprontou no hospital, mas amanhã eu conto, fiquei meio emotivo agora.







Quarto do hospital




domingo, 17 de junho de 2012

A UTI...

       Aquele choro incontido em meu quarto que viemos a saber que era da dona Leonor, foi por que neste dia, as pessoas fizeram uma corrente pedindo a ajuda de todas as mães desencarnadas para não me desamparar na cirurgia e ela sem poder ajudar só chorava!  
      Numa UTI quando se está internado, não se sabe quando é noite e quando é dia, pois as luzes ficam acesas todo o tempo, para mim era sempre manhã eu ainda estava muito sedado, dormia e acordava ao acordar no início, via sempre minhã irmã ou a Mariângela ao meu lado, lado direito da cama, eu achava que elas não dormiam pois estavam sempre a postos. São grandes guerreiras, grandes mulheres eu as amo!
     Betinho e o Bruno estavam sempre lá também, me dando passes, orando e me ajudando através de palavras, são dois caras fenomenais, eu tenho muita sorte por ter tido a chance de fazer parte da família deles! Deus, o grande arquiteto do universo me abençoou novamente, ao pôr essa família maravilhosa em meu caminho!
     Acordei em um determinado momento e vi o Mário e a Mariângela na minha suite (rs), ele havia abdicado das férias e voltado para São Paulo, fiquei feliz em vê-lo, fiquei mais fortalecido. minha família estava completa e na luta por mim. Eu já estava a alguns dias na UTI e as horas davam a impressão de não passarem, era um cu, tamanha morosidade, aí...
     Deu a primeira merda! Eu estava entubado, quando tentaram me destubar, tive uma pneumonia, me entubaram novamente, tentaram após alguns dias me destubar, tive mais uma pneumonia, meus pulmões não funcionavam os médicos então, resolveram fazer uma traqueostomia seletiva pois o meu pulmão estava cheio de secreção e meu estado de saúde piorava a cada dia, fodeu, parei de falar! Agora minha comunicação era só através de gestos e expressões, as pessoas que me acompanhavam, e ajudavam a cuidar de mim estavam fodidas, eu gesticulava, elas não entendiam e eu ficava puto! Quem mais se danava era a Mariângela coitada, passava por todo aquele estresse e ainda tinha que aturar a minha cara feia por ela não entender o que eu tentava expressar através de gestos. Ela teve então uma ideia genial que teria dado certo se eu não estivesse tão mal e tão sem articulação dos movimentos. Ela desenhou o alfabeto em letras garrafais e ai era só eu apontar letra por letra para formar a palavra e assim ela entender o que eu queria, mas os meus movimentos estavam sem controle, e eu não enxergava direito e assim caiu por terra essa ideia genial da minha heroína!
     A Aspiração no início é horrível. Vou explicar para quem não sabe o que é. Consiste em enfiar um tubo ultra fino, mas nem tanto, através da cavidade aberta na traqueostomia em nossa garganta, bem na junção do tronco com o pescoço, esse tubo entra em nosso peito e vai até o pulmão e aspira a secreção ou catarro se assim preferirem, deixando o pulmão "limpo". É um procedimento, que no início dói e incomoda bastante, incomoda mais que dói digo eu, mas é necessário ser feito. Esse procedimento era feito cinco vezes por dia.                                        Eu preferia que á noite ficassem comigo na UTI a Mariângela o Bruno ou o Betinho eu ficava mais seguro e aí numa dessas noites, deu a segunda merda! Por um motivo qualquer, não me aspiraram neste dia, eu por dentro fiquei super feliz, havia escapado desse suplício da aspiração, mas meu pulmão estava se enchendo de secreção, não conseguia respirar direito, fiz gestos para o Bruno e ele de imediato chamou um dos enfermeiros ele veio e disse que não era nada, que era assim mesmo, se aspirasse novamente poderia sangrar e me machucar internamente e saiu do quarto. Só que o coitado não sabia é que eu não tinha sido aspirado naquele dia, aí meus amigos, o ar parou de entrar nos pulmões e eu estaria morto se não fosse o Bruno que foi correndo até a equipe de plantão e falou que eu não estava mais conseguindo respirar, estava me debatendo sufocado! Entraram voando no quarto um caralhão de gente e começaram os procedimentos para me salvar! Teve um enfermeiro que eu jamais vou me esquecer dele, era um negão alto pra cacete, que pediu para as pessoas se afastarem e começou a aspiração, nossa ele demorou uma eternidade nesta aspiração, mas deixou o meu pulmão zeradinho, limpinho e sem nada de secreção. O Bruno por entender rápido o que estava ocorrendo e chamar correndo a equipe de enfermagem para me ajudar  e esse enfermeiro pela destreza e a paciência me salvaram a vida! Quando eu pude falar, eu fiz a seguinte alusão a esse momento de angustia. Num drible tirei dois zagueiros da jogada e parti em direção ao gol, o goleiro saiu desesperado e eu dei um toque sútil por cima dele em direção ao gol e a bola caprichosamente bateu na trave! Ainda bem que o Bruno e o enfermeiro fizeram o gol por mim, (rs)! Se não eu estava fodido!
     Queria fazer um adendo a equipe de enfermagem que trabalha na UTI do hospital, são ótimos, de zero a dez eu dou nota cem!Todos, todos fizeram o possível para salvar a minha vida e conseguiram.
     Os enfermeiros me davam banho todos os dias com uma presteza e habilidade impressionante, faziam minha barba, passavam cepacol em  meus dentes para tirar o mau hálíto e passavam desodorante, tudo isso era feito comigo deitado! Eu não me levantava ainda, essa galerinha do bem era foda, fiquei tão impressionado que até pensei em fazer um curso de enfermagem para homenagear estes excelentes profissionais, mas ficou só no pensamento.
     Numa tarde, a doutora Mônica, chefe da UTI, falou com a Mariângela que iriam colocar uma sonda em minha barriga e eu iria me alimentar pro resto da vida por ali, achavam que o AVC havia comprometido a minha deglutição, por sorte o doutor Antonio não deixou, achou melhor esperar mais um tempo.
     Comecei com muito custo a sentar na cama, pelo menos uma hora eu tinha que ficar sentado, ou na cama ou na poltrona que existia no quarto. Era um suplicio, não tinha forças para manter a cabeça ereta, eu ia escorregando na poltrona, ao trocar de posição de deitado pra sentado, me mijava todo, me cagava a cabeça doia era um inferno! Mas era obrigado a sentar, pois esta posição corporal, me ajudaria na respiração, não deixar dar água no pulmão, iria me obrigar a tentar manter o pescoço reto, e era a porta de saída da UTI.
     Na UTI, minha irmã Teresa foi umas duas ou três vezes, foram só de UTI, dezenove dias, ela vinha a São Paulo para ficar revesando com a Mariângela e os meninos nesta minha estadia numa UTI. Meu cunhado Carlos foi primordial, primeiro em conversar com o doutor Antonio e passar as coisas mais simplificadas para as pessoas sem os termos médicos, isso ele estando no Rio e as coisas se desenrolarem em São Paulo e segundo, em ficar com as crianças enquanto minha irmã vivia na ponte aérea atras de mim.
     Meu corpo começou a reagir, e pra melhor, já me sentavam sem eu reclamar, meus números começaram a melhorar nos diversos monitores que estavam colocados atras de mim e assim eu consegui sair da UTI! Era só esperar vagar um quarto para que eu pudesse finalmente ver outros ares e pessoas diferentes! A tarde, lá pra umas 16:00, me transferiram, saí da UTI, mas uma etapa vencida!
     Chegando ao quarto me instalaram e saíram, minha esposa ligou a televisão e passava na HBO o filme "O  Nosso Lar", caramba chego me arrepio ao lembrar.
     Amanhã eu continuo...
   
   
   























sábado, 16 de junho de 2012

A operação

  ... Bem o que vou contar agora foi o que eu escutei de minha esposa e dos familiares.
      Meus familiares ficaram no quarto aguardando a cirurgia terminar, segundo eu soube não pode, eles teriam que sair do quarto para este para ser desinfectado para o próximo paciente, mas como o prognóstico era o pior possível, a direção do hospital deixou meus familiares ficarem no quarto. Poucas pessoas acreditavam que iria dar certo, pois o próprio neurocirurgião havia dito que essa região do cérebro não se opera, a cirurgia era somente uma tentativa para não se dizer que nada foi tentado. A espera era por um MILAGRE, e as vezes eles acontecem...
          Dezenas de pessoas, amigos, estavam orando por mim! Amigos do trabalho, amigos da escola da Mariângela, meus irmãos que são tão importante pra mim, todos! Mariângela disse que ficou impressionada como eu era bem querido e a mobilização que isto estava estava causando! Eu, me agarrei com São Jorge e com São Francisco de Assis, ou com Ogum e Oxossi se assim preferirem e me entreguei.
     Depois de cinco horas de operação minha família resolveu descer para a ante sala cirúrgica para ver se tinha notícia, boa ou ruim. O Bruno passou mal e levaram ele para o quarto, deve ter sido foda pra ele, a Claudia falou que se tivesse que dar merda já tinha dado, que tudo ia correr bem, a Teresa não dava uma palavra, imagino o filme que passou na cabeça dela, nossa infância adolescência, tudo o que nós passamos pela vida. Costumo dizer que ela apesar de ser um ano mais nova ela é como uma mãe para mim, sempre me ajudando, me apoiando, reclamando, dando bronca. Fomos parentes em outra vida. Meu irmão Belini não pode vir por causa do trabalho mas rezou também, até meu pai largou a família atual dele e apareceu no hospital!! Nossa, milagres acontecem rsrsrsrsrs!!!
     A operação durou cinco horas e meia, ao término dela, uma janelinha foi aberta e o Doutor Antonio sorridente disse que a operação foi um sucesso! Eu pelo menos estava vivo! Bem, minhas chances aumentaram 90%! Mariângela conta que foi uma choradeira geral, todo mundo se abraçou se beijou como se fosse um gol do Vasco! Acredito eu, que ao chegar "la em cima" e me mandaram descer pois eu ainda tinha  uma missão a cumprir aqui na Terra.
    Fui encaminhado para a UTI, cheio de tubos e aparelhos ligados em mim. Lá pelas 17:00 eu vi uma luz estranha, vermelha e uma cortina se abriu, eu havia aberto os olhos, a luz vermelha era a televisão e a cortina era da UTI. Vi a Mariângela entrar e segurar minha mão esquerda e meu pai segurar a mão direita e eles apertaram minhas mãos e eu respondi ao aperto, meu pai  chorou um pouco e saiu para a minha irmã Teresa  poder entrar. Lembro que disse a Mariângela que a amava e apertei a sua mão uma vez e voltei a dormir, estava muito sedado, nem consegui ver minha irmã Teresa, apaguei. Minha irmã Teresa não quis voltar ao Rio de Janeiro até me ver acordado e ver que eu estava bem. Ela tem dois filhos, o João Pedro e a Alice, crianças e ela abdicou dos filhos para ficar comigo, meu pai; voltou para o Rio.
    As primeiras 72 horas são as horas criticas aonde tudo pode acontecer, sabia-se que tetraplégico eu não estava, eu consegui apertar as mãos das pessoas, bom sinal, podia estar paraplégico, mas era uma opção melhor que a primeira!
    Teresa dormiu na UTI comigo e aí aconteceu a coisa mais louca do mundo! Eu vi primeiro a Dona Albertina e a Dione, lembro inclusive das roupas delas e eu falei com minha irmã que estava vendo elas, minha irmã ligou para a Mariângela e falou com ela apavorada e pediu ajuda, perguntou o que ela poderia fazer e a Mariângela falou, reza e ora por ele, elas sumiram e aí eu vi ao meu lado direito da cama a minha mãe e minha avó, a minha irmã estava no meio das duas e elas me acariciavam, minha avó chorava, mas não era um choro de tristeza, era um choro de alívio, falei com a Teresa da presença delas, elas estavam lindas, esplendorosas e eu sorri e dormi de novo. Todas essas pessoas que eu mencionei já faleceram, minha mãe, minha avó, Dione era minha madrasta e a dona Albertina era a mãe dela. Minha avó, como eu adorava ela, havia ajudado a nos criar apos a morte de minha mãe, era um doce, graças a Deus está agora em outro plano espiritual.
    Ia me esquecendo de um detalhe muito interessante, um dia antes da minha cirurgia, eu já não enxergava direito, só via vultos e havia uma pessoa chorando muito no quarto na hora da oração que iriamos fazer, mas chorava muito e nada falava, eu perguntei quem estava chorando tanto, as pessoas me disseram que não havia ninguém chorando, que eu estava enganado, mas estava, quem chorava era era minha falecida sogra dona Leonor, viemos a saber depois.
    Amanhã eu continuo...
   






















sexta-feira, 15 de junho de 2012

O quase defunto...

  ...Estavam todos no hospital, pra velar um defunto vivo!! O defunto era eu, só não haviam me contado!!
     Minhas irmãs dormiram no hospital para a "viúva" Mariângela descansar um pouco em casa e numa cama decente, não que minha cama seja indecente, as vezes até é, mas é que no hospital ela dormia num sofá totalmente desconfortável.
    Quando ela foi para casa, ficamos nós três conversando e fazendo fofoca e falando da vida, eu e minhas irmãs temos uma sintonia muito boa! Ruim era quando eu queria ir ao banheiro e ficava uma das duas na porta, isso depois de muita discussão, pois elas queriam entrar. O médico havia proibido de me deixar sozinho, eu só não fui novamente para a UTI, por que eram as minhas últimas horas de lucides e minhas irmãs vieram de longe, aí me deram um refresco. a Claudia queria me acompanhar no banheiro de qualquer jeito, queria que deixasse a porta aberta e eu puto da minha vida, sem querer deixar, e não deixei!! É que eu não sabia que eu poderia desmaiar, entrar em coma, sei lá, as perspectivas eram as piores e elas sabiam disto, só eu é que não.
   Lá para umas 3:00 da manhã não aquentei mais e dormi, depois eu vim a saber que a Claudia e  Teresa (Minhas irmãs) ficaram revezando para velar o meu sono e atentas a qualquer detalhe. Não são somente irmãs, são anjos!
   Acordei mais ou menos umas 10:00 da manhã, tomei meu café e começou a chegar gente no hospital, amigos, patrões, telefone não parava de tocar, eu pensei: Tô importante pra burro!! Porra nenhuma, eu tava era morrendo e as pessoas vieram para homenagens póstumas rsrsrsrsrsrs!!!!!
   Em um determinado momento, chegou o médico que me atendia acompanhado do neurocirurgião Doutor Antônio- O Cara!! Viu meu exame, conversou com minha família e entrou no quarto vindo direto a mim e disse exatamente assim: Bom dia, sou o Doutor Antonio e vou lhe operar amanhã as 7:00 da manhã, bem para o senhor ficar ciente dos riscos, eu tenho 90% de chances de lhe perder na mesa de operação, 5% da operação ser parcialmente bem sucedida e o senhor ficar tetraplégico e temos 5% de chances do senhor voltar a ser o que era, perfeito!
Como eu não estava entendendo nada, depois de ouvir tudo isso, eu perguntei ao médico se tinha algum risco, tava parecendo piada de loura né?
   Fico agora imaginando, minha esposa sozinha no hospital recebendo a notícia do primeiro médico, que eu teria só algumas horas ou dias de lucidez e depois viria a morte... Deve ter sido foda pra ela, imagino minhas irmãs recebendo essa mesma notícia e tendo que passar a noite comigo no hospital conversando, brincando como se nada estivesse acontecendo, deve ter sido foda pra elas também. Os garotos, meus enteados, que eu considero como filhos e os amo, o Mário estava viajando, estava em Cabo Frio, nós esperando para passarmos as férias, foi foda para eles também!!
   Marcelo, um de meus cunhados, mandou uma medalhinha benzida pelo padre Marcelo, Teresa me deu uma medalha com a imagem de São Francisco de Assis que nossa mãe mandou fazer ao meu nascimento que eu nem sabia que existia, meu filho Arthur me deu um arco de Apolo dourado para me proteger, nossa ganhei presente pra caramba.
   Lembro que assim que soube que iria ser operado, pedi a Mariângela para procurar a Lygia minha filha, com quem eu não falava a dezoito anos, queria pedir desculpa, perdão, queria vê-la, sei lá, tanta coisa passou pela minha cabeça, eu vi um filme se desenrolar.
   Combinei com a Mariângela, que se eu ficasse tetraplégico, um aperto de mão era que eu havia entendido, e dois apertos de mão era não entendi, fora outras coisas que combinamos que eu sinceramente não lembro de nada.
   Ás 7:00 da manhã do dia seguinte, entraram no quarto do hospital o Doutor Antônio e uma equipe de enfermeiros com uma maca para me levar para a mesa cirúrgica em outro andar do hospital, fixei meu olhar na Teresa, na Claudia e na Mariângela e pra mim era quase uma despedida, lembro que peguei na mão das três e elas estavam geladas, não sei se pelo ar condicionado do quarto ou se por medo! Estava quase me despedindo das três mulheres mais caras e mais raras de minha vida, vi o Neto e a Sônia, meus cunhados, Seu Floriano, meu sogro e o Bruno e o Betinho meus enteados, todos se despedindo! Que coisa engraçada, a única certeza que se tem na vida, é que quando nascemos já estamos morrendo aos poucos, é inevitável.
   Não tive medo de morrer, pois sei que o outro lado é bem melhor do que esse, tive medo do umbral, e esse eu sei que teria que cumprir uma temporada lá. Sabia que eu não era um primor de criatura aqui na crosta terrestre e eu tinha que reparar os meus erros cometidos, e eram bastante rsrsrsrs!!
   Entramos no elevador do hospital descemos e fomos para a ante sala cirúrgica, tinham mais três pessoas que também iriam ser operadas, estavam na mesma sala comigo. Uma das enfermeiras me perguntou se eu tinha algum recado para dar á família, eu queria falar com a Mariângela, perguntar se ela havia achado a Lygia, minha filha, mas a enfermeira voltou e falou que não havia parente nenhum meu na sala de espera, pensei comigo; FODEU!!!! Foram comprar a porra do caixão, preparar o velório que eu acho uma palhaçada. Sou a favor da cremação, não prejudica o meio ambiente e é bem mais simples, sei lá, pensei num monte de coisas.
   Depois disso, não lembro de mais nada... Amanhã eu continuo!





















quinta-feira, 14 de junho de 2012

A morte...

   Voltando ao assunto anterior, da minha "saga no hospital", dormi e só acordei quando os médicos e a equipe da ambulância estavam a postos para me transferir de hospital. Não entendi porra nenhuma daquela balbúrdia, me colocaram em outra maca e lá fui eu de ambulância para o hospital Alvorada em Moema. Ao chegar fui direto para a UTI, ligaram uma porrada de fios em mim, monitor de pressão arterial e eu sem me dar conta de nada, pra mim eu estava bem, queria ir embora dali. O quarto da UTI parecia um aquário, toda  
a frente da parede era de vidro coberta por uma cortina que ficava aberta totalmente davassada para que os médicos alem dos aparelhos ligados a mim, pudessem me monitorar visualmente. Mas fiquei por quatro intermináveis dias na UTI. A equipe de enfermagem super atenciosa nota 10. A única merda é que não podia tomar banho sozinho e nem cagar sozinho!! Olha que absurdo, tinha um vigilante para as minhas cagadas, o que aconteceu?? Meu cu ficou acanhado e eu não caguei mais esses dias.
  Passado esses quatro dias, me transferiram para o quarto, nossa em vista da UTI era um hotel cinco estrelas, com suíte, armário TV de plasma, canais abertos e fechados na TV, telefone e um banheiro com privacidade, nossa como caguei... Até suava de tão bom que era!!
  Se não me engano fiquei mais quinze dias no quarto, fazia fisioterapia com o profissional do hospital, mas nem precisava eu estava bom. o médico pediu mais alguns exames que prontamente foram feitos e me liberou para a casa, me deu alta!!
  Estava normal, sem prolema algum em meu corpo, me movimentando normalmente, ouvindo, enxergando e falando, só a maldita dor de cabeça que estava em algum canto escondida pronta para dar o bote. Me deram quinze dias de licença para relaxar, aí eu dei o pior telefonema de minha vida e ouvi coisas que me machucaram profundamente, a pessoa que eu mais achei que não iria falhar, que eu pensei que estaria sempre comigo em qualquer situação, falhou e a discussão foi inevitável, o sangue subiu, e eu alterei a voz com meu pai. A pressão arterial subiu e o sangue entupiu meu tronco cerebral...
  Comecei a enrolar a língua ao falar a me apoiar nas paredes e nos móveis para não cair, não ouvia mais direito, não enxergava do olho direito, ficava tudo embaçado, fodeu tudo!!
  Mariângela ligou para o médico que havia me atendido na UTI e ele mandou irmos imediatamente ao seu consultório que era anexo ao hospital. Ao chegar lá e ser atendido o doutor fez alguns exames de praxe, mandou eu colocar a ponta do indicador no nariz, estender os braços a frente e fechar os olhos, se o médico não estivesse à minha frente eu teria caído  para a frente, não havia mais dúvida, havia sangrado internamente de novo. O médico preencheu uma guia e mandou que eu estivesse cedo no hospital no dia seguinte para realizar uma ressonância magnética.
  Voltei ao hospital no dia seguinte e fui prontamente encaminhado para o exame, a cara do médico não era boa ao vislumbrar o resultado do mesmo e me internou novamente.
  Eu sei que eu estava muito ruim, esquecia de tudo, falava desconectamente e não conseguia mais ter equilíbrio! Enxergava muito pouco, a visão estava completamente turva e embaçada.
  No dia seguinte após a minha internação, vieram ao hospital, minhas irmãs do Rio de Janeiro, o meu patrão com a esposa, o meu gerente e até meu filho com a mãe dele, eu não sabia mas o médico havia chamado a minha esposa lá fora do quarto e dito para ela que meu caso era irreversível, eu ia perder a razão e entrar em um coma irreversível seguido de morte. Por isso estavam todos no hospital.
  Amanhã eu continuo...
 






















quarta-feira, 13 de junho de 2012

O início da dor.

Tudo claro, dia normal! Trabalhei, vendi um carro no serviço e as 20:00 fui para acasa. fui á pé mesmo pois moro perto do trabalho. Estava contando os dias para tirar umas férias merecidas em Cabo Frio, na região dos lagos do Rio de Janeiro. A casa de veraneio já estava paga e faltavam poucos dias para a viagem.
Ia pensando em tudo que estava sendo programado para fazer quando chegasse lá e ia caminhando para casa, andar, pensando em férias era bem melhor, nem sentia a caminhada. A única coisa que me incomodava era uma dor absurda na minha nuca e que se irradiava pela cabeça, mas essa dor já me acompanhava a pelo menos oito dias; eu já estava me habituando com ela, estava passando por uma situação desgastante e muito penosa em meu emprego antigo e minha pressão arterial devia estar nas alturas.
Cheguei em casa e não sei por que resolvi fazer um feijão. É me deu vontade de comer um feijão, mas o feijão que eu faço, com carne seca, paio, rabinho, lombo e etc. E fiz, pus a panela para ferver com os ingrediente, descasquei o alho, bastaste alho pois adoro, cortei a cebola para fazer o refogado e como estava muito quente, abri uma latinha de cerveja e fui lá para o quintal conversar com o Mario (Um dos meus enteados) esperando o meu feijão ficar pronto. A porra da dor de cabeça não dava trégua, doía sem dó nem piedade.
Num gole terminei minha latinha de cerveja. deixa eu fazer um adendo. A primeira lata é para matar o calor sufocante e da segunda em diante, é para saborear.
Havia parado de fumar há duas semanas, mas sempre tinha um maldito cigarro guardado para uma emergência, e o acendi...
A dor de cabeça ficou mais intensa, mas fui administrando e conversando com o Mário ou melhor, pedindo pelo amor de Deus para ele não contar para sua mãe que eu havia fumado, pois como tenho um histórico familiar de cardiopatas, estava muito acima do peso e levava uma vida sedentária, para ter um infarto era um pulo. Como o Mário é um cara "manero" e muito meu amigo prometeu não me entregar para a sua mãe.
Abri outra latinha e acendi outro maldito cigarro e ficamos conversando sobre a vida, sobre a viagem, sobre porra nenhuma. Neste intermeio chegou o Bruno (meu outro enteado) junto com sua namorada e ela ao me cumprimentar disse que um dos meus olhos estava super vermelho eu brinquei dizendo que tinha fumado Maconha, rimos, brincamos e a dor não passava. Apaguei o maldito cigarro e fui ver meu feijão, tirei a pressão da panela e ele estava simplesmente magnifico com aquele monte de salgados borbulhando nele.
Tomei meu banho, e enquanto tomava banho ficava pensando em como resolver a situação de como receber a minha rescisão do meu antigo emprego, pois apesar de ter "ralado" me esforçado ao máximo abdicando até da família para conseguir bons resultados, eles mandaram eu procurar meus direitos. Fiquei puto, pois vivia pela empresa, suava pela empresa, deixava de fazer programa com a família pela empresa, e agora me mandam procurar meus direitos. Eu tava super estressado. Terminei meu banho, escovei bem os dentes pra tirar o gosto do cigarro e fui para a sala com os "meninos" "zuar" e esperar a Mariângela, minha esposa, chegar do trabalho. Ela dá aula em duas escolas e uma delas é a noite, vai até as 23:00.
Ela chegou e se espantou com um de meus olhos vermelhos e veio a brincadeira de praxe dizendo que eu havia fumado Maconha e etc.
Falei para ela esperimentar o feijão que eu havia feito mas ela se recusou a comer um feijão á uma hora daquelas. Fui a cozinha e fiz o meu prato, feijão, pimenta e farinha (Eu adoro) e fui para comer na sala para conversar com as pessoas. comi, lavei meus talheres e o prato, escovei meus dentes e fui deitar. A dor de cabeça estava insuportável, pedi um comprimido de um analgésico para a Mariângela para conseguir tentar dormir. Tomei o comprimido e quase que imediatamente meu braço esquerdo ficou todo "enformigado" e dormente, achei estranho e me levantei, e a perna esquerda estava da mesma forma meu lado esquerdo estava "bobo", pedi para ir ao Hospital, aquilo não era normal. Como minha família é Espirita Kardecista e eu também, achamos que era algum irmão do plano espiritual precisando de ajuda, minha esposa fez o transporte e veio um Preto Velho dizendo que não era nada e que tudo ia passar e mandava eu esquecer velhos hábitos ( Fumar), dizia em sua sapiência que tudo ia dar certo. Me senti um pouco melhor e fui para a sala aguardando melhorar, pois odeio Hospital. Comecei a piorar e alguma coisa dizia que eu não voltaria mais para casa, tive uma sensação estranha de morte mas não falei nada com ninguém, só tirei meu relógio, meu anel de São Jorge e minha aliança, e rumamos para o Hospital.
Ao chegar lá, fui logo atendido, pois era de madrugada e pelo que eu vi o meu caso era um pouco grave, pois me atenderam de imediato, falei normalmente os meus sintomas e de imediato fui submetido a uma tomografia, lembro que enquanto o resultado não saia eu estava tentando convencer a uma enfermeira a trocar de carro, falei das taxas de juros e inclusive eu tinha o carro dos sonhos dela em estoque. Tava tudo "normal" para mim, até o médico entrar na enfermaria e me crivar de perguntas, chamou minha esposa e falou que eu tinha tido um AVC, um sangramento no tronco cerebral e e que eu poderia entrar em coma á qualquer hora, meu caso era muito grave, chamaram a ambulância para me transferir para o Hospital apropriado, só pediu para que eu fizesse o máximo de esforço para não dormir, mas não aguentei, dormi.