sábado, 15 de dezembro de 2012

HIPOCRISIA

  Por curiosidade entrei em uma espécie nave! Não sabia o que era, mas quando vi uma porta aberta com uma luz ofuscante com uma espécie de imã me chamando curioso eu entrei, afinal a curiosidade sempre foi o meu forte, tenho um "que" de jornalista investigador, mas meus amigos acham na realidade que eu sou é fofoqueiro. Era a porta de uma nave! Assim que eu entrei as luzes de dentro do invólucro ficaram mais suaves e a porta fechou-se rápida e  hermeticamente sem me dar a mínima chance de retroceder! Estava preso! Não havia em parte alguma uma alavanca ou botão para que eu pudesse usar para abrir a porta. Procurei uma alavanca para fazer um calço e assim tentar abrir a porta para me ver livre, mas não tinha nada que eu pudesse usar. Vi uma espécie de algo que eu achei que fosse uma televisão gigantesca pois ia de uma ponta a outra dessa nave, uma poltrona confortabilíssima, pois eu sentei  e pude comprar, que estava localizada bem em frente a essa espécie de televisão, afastada uns cinco metros à frente e nessa poltrona existiam três botões para regulagem, rapidamente descobri que regulavam o encosto da poltrona,  o assento da mesma e o apoio para os pés.
  Estava eu ainda assustado por não achar uma saída mas também maravilhado com aquela espécie de televisão gigantesca quando senti um leve tremor como se a nave estivesse tentando mover-se, as luzes internas apagaram-se quase que totalmente deixando o ambiente interno na penumbra e uma música suave e angelical bem baixinho tomou conta do ambiente, parecia uma canção de ninar, tão bela, tão divina e comovente! Não  eram músicas  terrenas, tenho certeza! Eram músicas tocadas por seres divinais tão bela que eram! Até hoje quando essas cena me vem à mente, eu só consigo lembrar de anjos, muito embora nunca tenha visto um, ou já os vi dezenas de vezes mas não enxerguei, não por culpa deles, mas só minha!







 A nave movia-se lentamente e no mesmo ritmo e compasso, a sensação que dava era que estava me embalando. A música que nunca tinha ouvido tocando baixinho a nave balançando no mesmo compasso, uma poltrona deliciosa de tão aconchegante que meus olhos começaram a ficar pesados e sem eu perceber caí em um sono profundo e pesado. Até hoje não sei se dormi realmente e se era uma nave  de verdade, mas as cenas que comecei a presenciar a partir deste momento, me fizeram pensar, retroceder e dar um novo rumo a minha vida, uma guinada de 180º!
  A televisão gigante, era na realidade uma espécie de tv mesmo. Acendeu e focou com imagens nítidas e claras, só com um pequeno borrão no meio, como se fosse alguém desfocado. Vi pessoas num corre corre total indo apressadas, eram pessoas desconhecidas com embrulhos nas mãos que pareciam presentes pois tinham enfeites natalinos na embalagem. Passavam umas pelas outras sem nem se dar conta, sem um gesto de cordialidade, pareciam autômatas como robôs. No canto superior direito dessa tela gigantesca existia a data: 12/12/2012. Essa imagem sumiu mas entrou outra na sequencia com essa mesmas pessoas em abrigos de crianças e de idosos dando aqueles presentes que eu havia visto na imagem anterior, em festas de confraternização fazendo essas crianças e idosos felizes! A imagem "fechou" e entrou outra só que com outro dia.
 No canto superior da tela marcava 15/12/2012 e essas pessoas estavam cada uma em lugares diferentes fazendo uma espécie de caridade; distribuindo sopa na madrugada, dando conforto à crianças que dormiam embaixo de marquises dando presentes a elas e uma lauta janta. A imagem "fechou" mais uma vez e agora era de dia, dia 20/12/2012, as mesmas pessoas dos dias anteriores, no mesmo corre corre nas ruas com mais presentes, só que mais cordiais, olhavam uns nos olhos dos outros e maneavam a cabeça cumprimentando-se e até davam "oi" umas as outras.
  Eu não tava entendendo nada, mas alguma coisa me incomodava e incomodava bastante. Uma acidez me subia no estômago a cabeça doía um pouco e senti meu "coração" em frangalhos! Que sensação estranha essa, nada daquilo dizia respeito a mim, eu não conhecia essas pessoas, mas aquilo tudo me dava um desassossego, um vazio que eu não sabia explicar! Eu comecei a achar que estava de intrujão no sonho de outra pessoa.
  Vislumbrei novamente a imagem, tentando não dar muita atenção a essas sensações estranhas que estava sentindo, devia fazer parte do sonho essa especie de incomodo essa sensação de "algo errado", e comecei a pensar: "Estranho, primeiro as pessoas nem se falavam, passavam umas pelas outras como se as outras não existissem, cada uma dando atenção ao próprio umbigo, depois começam a dar presentes e atenção à pessoas estranhas umas as outras, indo à abrigos, lar de velhinhos, passando boa parte da madrugada acordadas distribuindo sopa e presente a criança maltrapilhas. Alguma coisa não batia, tinha algo errado!"
  Fiquei olhando a tela intrigado, fixando aquela imagem borrada. Sabia que era uma pessoa mas não conseguia visualizar "quem"; me atrevi a chegar perto e tentar limpá-la com minha camisa, mas não era sujeira, era alguma imperfeição na própria tela, pensei comigo: "Vai ver que essa tv é velha e muito usada"
   Vi que entre essas centenas de pessoas, existiam parentes umas das outras. A imagem "fechou" novamente e num átimo de milésimos de segundo veio outra. Essas pessoas parentes umas das outras com fortes laços consanguíneos passavam o ano sem se falar sem se perguntarem pelo menos ao telefone como estavam, ou até mesmo se estavam vivos! Consegui ver isto pois nesta tela de televisão gigante com a data no canto superior direito, os dias dessas pessoas passavam em milésimo de segundos, nesta data que estava no canto da tela, era dia 24/12/2012 e essas pessoas começaram como robôs quando se coloca pilha, a ligarem umas para as outras, o transito ficou caótico pois algumas iam às casas das outras abraçaram-se e choravam, pais procuravam filhos e vice versa a coisa ganhava uma proporção que assemelhava-se à uma grande e infinita balbúrdia! A palavra que eu mais pude ouvir era "PERDÃO", aliás, a única!
 "-Perdão por isso ou por aquilo, eu não quis dizer isso, você me magoou por aquilo"!
"- Deixei de falar com você pois fiquei magoado e  chateado para não dizer outra coisa ai inventei um monte de coisa sobre você só para deixa-lo(a) mal com os outros, mas agora estou disposto(a) a esquecer! Dá cá um abraço"!
"- Venha meu menino(a) tome essa sopa ela está quentinha, cheia de legumes, carnes e macarrão de letrinhas! Deixa eu limpa-lo(a) para você comer limpinho! Me dê um beijo e eu abraço, vamos comemorar e confraternizar o dia de hoje"!







  Não sei como, aliás até sei, pois se era um sonho tudo poderia ser possível, mas uma voz maravilhosa musical adentrou minha mente e ouvi claramente, nitidamente e pausadamente:
 "- O que fizeste dos meus filhos que eu te confiei?
Ao ouvir essa indagação em tom imperativo dirigida à mim e a todos , eu só consegui chorar! Era a indagação do "Pai", do pai angustiado mas sabedor do que ocorria, afinal ele vê tudo.
" -Tomes os presentes! Um para cada um! Ho,Ho,Ho! Hoje é o dia cristão minhas criancinhas! Ho,Ho,Ho!










 Essas imagens e palavras  passavam na tela da tv, e em minha mente a indagação do "Pai". Tudo quase que em câmara lenta, olhei a tela da tv e vi a hora 23:30! Olhei a imagem e ela estava nítida, sem nenhum borrão ou defeito, realmente eu estava certo, existia uma pessoa na imagem que eu achava que estava borrada! Não estava borrada não, ela estava nítida o tempo inteiro na tela, eu é que não via, pois nunca tive coragem de olhar diretamente no espelho de minh'alma e encarar-me, e ver que eu era igual à tantos e a todos
  Era natal! A data na tela da tv gigante informava-me; era natal!
  O natal tinha que ser todo dia! Mas não o natal do comércio do Papai-Noel.  A essência do natal devia florescer no coração do homem todos os dias! Todos os dias as crianças precisam de um beijo um abraço sentir-se queridas e amadas! Todos os dias moradores de rua, velhos jovens ou crianças tem fome e precisam de algo, de um olhar, de compaixão de ser escutado ao falarem seus problemas, aflições e o motivo que os fizeram estar nesta situação em que se encontram!
  Novamente aquela voz magnífica melodiosa veio a minha mente com um misto de indagação:
 "- Amaste o teu próximo como a ti mesmo e deste a vida à um irmão? Era mais uma pergunta do "Pai".
Pergunta simples e fácil de ser respondida, mas tinha que ser respondida com o coração com a alma!
     Mais uma vez não consegui responder pois meus olhos literalmente viraram uma cachoeira! Amar um amigo ou um irmão é fácil, o bem maior é amar um inimigo, e isso ainda não conseguimos fazer! Dar a vida à um irmão, não é se matar para dar a vida a outro, é fazer o bem sem olhar a quem!
Vigiai e orai, pois Jesus disse "entrem pela porta estreita porque a porta larga e o caminho amplo levam à perdição". A porta larga e o caminho amplo, são os prazeres terrenos as tentações que nos desviam de ajudar nosso semelhante, nosso irmão, de carne ou de espírito!



  FELIZ NATAL DIÁRIO À TODOS!!!











segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

VAI COM DEUS!!

  Você cresceu e me viu crescer. Você limpou quantas e quantas vezes a minha bunda pois eu tinha nojo e não sabia me limpar direito. Coava meu leite e meu suco de laranja pois eu não gostava de nata e nem de bagaço. Me protegia no carnaval pois eu tinha pavor dos bate-bola quanto batiam as bexigas no chão para amedrontar as crianças, e amedrontavam! Eu tinha um pavor absoluto e não podia demonstra-lo, mas você sabia e me defendia. Isso foi em um tempo longínquo, lá em um bairro chamado Vaz-Lobo, onde você com suas irmãs e nossos tios moravam em uma das primeiras casas da vila, e nós, eu minha irmã e minha avó morávamos em uma das casas no final da vila.
  Lembro de quando dormíamos com vocês na casa da tia, eu e minha irmã, você não deixava sua irmã me colocar camisola para dormir! Legal, afinal eu era homem porra, mas ás vezes passava desapercebido, você não via e pronto, lá vinha a Celina me por camisola e ela era tão "perversa", que se eu quisesse ir ao banheiro fazer o número 2,e se só tivéssemos só nos dois em casa, hummm, eu ia ficar cagado algumas horas no banheiro pois ela não me limpava. Minha mãe morreu cedo eu quase não a conheci, mas você fez o seu papel de mãe comigo e com minha irmã, já se exercitava para quando viessem os seus.
  Lembro que meu pai proibiu o uso da chupeta mas eu tinha uma guardada em sua casa para um momento de desespero que era toda noite, e você nunca me dedurou.
  Lembro também que titia era costureira e sua casa vivia cheia de freguesas dela e eu aproveitava em um ou outro momento de distração da titia para olhar as mulheres de roupa íntima. Eu já era safado nessa época, e você junto com Celina e Dionir me assustavam com um manequim sem cabeça, parecido com esse da foto, mas muito mais assustador, ele era de ferro, aberto na frente, tipo um sulco, aquilo me dava medo!

Sem contar a régua da tia que as vezes eu era ameaçado sem nenhum "motivo" afinal eu era um anjinho! Mas os chifrinhos já estavam despontando rsrs!
  Acompanhei e seu namoro e vibrava para que desse certo, aliás acompanhei o namoro de vocês três, das tês irmãs, minhas primas tão importantes para mim e que me ajudaram tanto em meu início de vida.
  As brincadeiras que fazíamos com nossos tios por causa da música dos "Fevers"- "Mar de Rosas", essa era a capa do LP. Olha que absurdo, nós somos do tempo do LP! Não somos velhos, somos experientes!

 Fui ao teu casamento e fiquei feliz, você casou com meu padrinho, um homem, não um moleque. Um homem de verdade, que tinha defeitos como todos tem, mas era um homem na mais completa acepção da palavra, e dessa união veio sua filha que casou e te deu netos, netos lindos por sinal! A beleza aliás é a marca registrada da família!
  Você passou por inúmeros revezes, o baque do desaparecimento do marido, meu padrinho, por confiar foi enganada, ludibriada, mas acredito que tudo isso só serviu para o seu engrandecimento espiritual. Apesar de estar morando distante, fui ao Rio diversas vezes e não fui visita-la. Não vi suas irmãs, minha tia, meu tio! Quanto relaxo meu! Logo eu que adorava ir a casa da tia quando era moleque. A gente cresce e vai meio que abandonando a família.
 Acompanhei um pouco do seu problema através de notícias esporádicas vindo diretamente do Facebook, que por sinal com raiva acabei com ele. Mas não tive coragem de ligar para saber como você estava, fazer uma oração, ligar para minha tia quando meu tio partiu para dar os pêsames ou até chorar junto com ele, afinal gostava muito dele! Lembro dele fumando com os pés apoiados no sofá aquele cinzeiro enorme ao lado, tá aí a foto do cinzeiro se não me engano na época o cigarro era Minister, com minha tia no quarto costurando para as clientes.













  O que não sai da minha cabeça era o teu sorriso! Lindo, doce cheio de ternura! Lembro quando você ia ao açougue com a filha no colo, você não largava ela, era unha e carne!
  O tempo infelizmente passou, somos vítima inexoráveis dele. Mas lembro de cada detalhe de nossas vidas nessa época maravilhosa. Você com sua "viagem" me fez voltar ao passado e ser feliz novamente. Lembrei de tanta gente que foi muito importante para mim após a passagem de minha mãe, e quem sabe agora vai encontrar com você.
  Vai com Deus minha Prima!! Jesus te aguarda!