quarta-feira, 5 de setembro de 2012

MIGRANTE



 Vim para São Paulo com quinze anos junto com meus pais e uma renca de irmãos, cinco contando comigo, fugindo da seca e fome na Bahia. Somos de Riachão do Jacuípe, uma cidade banhada pelo rio Jacuípe, quando ele existe, quando a seca não vem torrando tudo pela frente, destruindo plantações e matando o gado. A população  de minha cidade é quase todas de "branquinhos" pois temos influência principalmente do povo Holândes, de índios ,Português e logicamente uma mistura que não poderia faltar para dar o tempero final, Negros; que é para ajudar a dar força ao povo nordestino. Sempre digo que somos "negros brancos", pois temos a "raça" e a estirpe do negro, com os cabelos quase palha e olhos claros, por vezes verdes ou azul, dependendo do sol.






O ponto vermelho é minha cidade


                                                            
                                                             Rio secando.



   Papai vendeu as terras, o gado e rumou com todos para o interior de São Paulo para trabalhar como "boia fria" nas plantações de cana de açúcar em mil novecentos e oitenta, na cidade de Palmares Paulista. Percorremos cerca de mil e novecentos quilômetros! Era o boom da cana de açúcar ou se preferirem do Etanol. Carros movidos a gasolina, impulsionando o progresso no país.

   Nós não víamos pai e mãe sair para a labuta pois era muito cedo, só escutávamos as vezes o barulho do caminhão vindo busca-los para mais um dia de "luta" cortando cana.
   Sempre deixavam a mesa posta para nós tomarmos o  desjejum antes da escola, ás vezes era inhame que dava no quintal e em outras também, outras vezes era mugunzá, e em outas também pois tinha uma rocinha de milho que mamãe plantou do lado direito da casa, acompanhado com leite da vaca que papai adquiriu  junto com o bezerro na trocando de seu relógio e na espingarda de dois canos.
   Pai e mãe chegavam em casa à noite, não posso precisar a hora pois a vaca ficou no lugar do relógio, mas pela televisão do vizinho que ficávamos olhando de quina da janela da sala,era na hora da novela.
   Nossa casa era uma casa simples com dois cômodos e era de taipa, a "casinha" ficava do lado de fora afastada uns cinco metros da casa por causa do cheiro forte, tinha um forno a lenha quase que contíguo a casa. Os cômodos eram distribuídos da seguinte forma. Quarto de todos, pai, mão e nós os cinco irmãos cada qual com sua rede, e pai com um lençol dividiu a parte dele com a mãe e colocou as redes separadas. O outro cômodo era a cozinha, com fogão a lenha, uma mesa para nós gigante e diversos bancos toscos de madeira ao redor dela. A água papai puxou de um riacho que corria a mais ou menos trinta metros dali  e passava do lado direito da casa mas fora de nossa propriedade.



Construção da casa





   Ao sair da escola, parava para jogar uma bola ou tomar banho no riacho com os colegas da classe. Como era o mais velho, tinha a incumbência de dar de comer aos meus irmãos menores e a mim também. Era simples a comida, era só fazer um feijão e depois de pronto colocar uma farinha e essa era quase sempre a nossa comida, feijão com farinha acompanhado de... Farinha, essa era a nossa "mistura". Quase sempre eu atrasava a hora do almoço, por causa dos banhos no riacho ou por causa da bola mas ninguém nunca reclamou ou morreu de fome, pai nunca ficou sabendo desta minha estrepolia, eramos muito unidos, um por todos todos por um.
   Tudo corria bem, pai e mãe trabalhando, quase todos os filhos na escola, só dois que não iam, pois eram quase bebes e iam com o pai e a mãe para o corte da cana. Não choravam e mãe parava de quando em vez para dar o peito.
   Nas festas de final de ano, papai quando conseguia economizar algum dinheiro o que era raríssimo, comprava um bode ou um leitão para nós comermos, e era uma festança, dava comida "pra mais de mês", pois mãe punha o que sobrava  imerso na banha para conservar ou salgava, pois em nossa casa não tinha geladeira! Geladeira, televisão, rádio, eram artigos de luxo que nem sonhavam em existir em nosso orçamento.
   Deram-se as primeiras baixas na família. Meus dois irmãos menores que iam com nossos pais para o corte da cana, tiveram febres altíssimas ficaram com o corpo cheio de manchas vermelhas e coçando, pois eles se esfregavam bastante e saía uma espécie de água da parte coçada! Mãe e pai levaram a benzedeira que tinha próximo a nossa casa mas não teve jeito, morreram! Ouvi meus pais dizerem que foi de catapora ou sarampo.
    Meu irmão Sebastião que era um ano mais novo que eu, insistia com pai para deixa-lo ajudar a cortar cana após o colégio, insistiu tanto que era melhor pois seria mais um a ajudar, que mãe estava triste com a perda dos filhos, dois de uma só vez, quase não produzia direito, o patrão estava reclamando, "aperreou" tanto o pai, que ele com muito custo comprou uma bicicleta de "terceira" mão! O freio eram os pés o selim estava todo gasto faltando espuma em algumas partes e com um dos pedais faltando. E lá ia ele após a escola para colheita da cana, pois pai obrigava a todos estudarem! Pai e mãe não sabiam escrever o nome, mas nós não! Nós sabíamos até fazer conta de mais de menos, multiplicar e dividir! Papai queria os filhos letrados, não queria que tivéssemos no futuro o seu fim. 
   Num dia de colheita, num município um pouco distante de casa pois a colheita de cana é feita em diversos pontos, quando se corta tudo em um ponto vai-se para outro lugar. Sebastião foi junto com eles pois era mês de férias. Pai não queria que ele fosse, pois tinha passado de ano na escola com notas boas, inclusive com dez em matemática em todos os bi-mestres, já era considerado um "gênio" entre nós! Mas com Sebastião não tinha jeito, quando ele colocava uma coisa na cabeça, ele fazia, e pai considerava-o um "gênio" e pra não contrariar o quem sabe, futuro "doutor", pai fazia as suas vontades dentro da medida do possível, mas sabe como é, papai simplório, um verdadeiro "matuto" sem saber o significado de nada das coisas escritas com um filho que já sabia ler e fazer "contas"! Na cabeça dele era um prodígio e Sebastião sabendo disto, fazia valer as suas vontades.
   Foram então fazer a colheita da cana em um município distante, foram pras bandas de Araraquara. Vou contar o que ouvi dizer.
   Pai, mãe e Sebastião desembarcaram da boleia do caminhão, com o sol dando os primeiros esboços que seria um dia quentíssimo, não havia uma leve brisa! Era um dia seco e "pesado". O caminhão deixou metade dessa leva de gente, e a outra metade seguiu para se juntar a turma que já estava em São José do Rio Preto. Fazia uns quarenta minutos que o caminhão havia saído e meu irmão ao pegar um feixe da cana para ser cortado com a foice, sentiu uma dor alucinante nas mãos como se tivessem furado seu ante braço com duas agulhas de croche! Tirou rapidamente a mão do feixe de cana mas com a foice firmemente segura na outra mão e ao ver algo se movimentando desceu a foice com vontade e dor, era uma Cascavel! Eles estavam no meio do "nada", o caminhão havia partido para levar outros trabalhadores,e a cidade ficava à trinta minutos de carro dali.













   Hoje, eu sei que não houve tempo hábil para salvar meu irmão, até chegar a pé na estrada, arranjar uma bendita alma que parasse o carro para dar uma carona até o hospital e Sebastião tomar o soro antiofídico que por sinal não tinha e tiveram que pedir no outro hospital mais próximo, foi muito tempo! Ele se foi.  
  Pai e mãe não conseguiam mais se compor, foi um baque extremo para eles e para nós também! Sebastião era o filho que eles depositaram todas as "fichas" que seria alguém muito importante nessa "vida de meus Deus", e para nós, era o nosso companheiro de folguedos, de banhos em rio e de conversas.

   Pai e mãe começaram a beber após a lida, e olha que eu nunca os vi beber até essa desgraça entrar em nossa casa sem pedir licença! Eles nem notaram quando Aparecida, minha outra irmã mais nova, arrumou suas trouxas pegou uma carona e partiu para São Paulo, capital,  na companhia de um caminhoneiro que ás vezes atravessava por essas bandas. Disse para mim que estava cansada desta vida de miséria e de ver os irmãos morrendo como fruta que despenca de uma árvore ao ficar madura! Falou que ia ser alguém na vida e que voltava para buscar painho e mainhã e eu. Tive vontade de acompanha-la, de ir embora dali mas fiquei preso ao chão como raiz de uma árvore, tão profundamente plantada que era impossível me tirar dali.
   Eu sofri muito com a morte de "Tião" mas me resignei. De Aparecida fiquei muito tempo sem vê-la ou ter notícias. Continuava a estudar e agora com mais empenho, com fúria desmedida! Ansiava pelo saber, após as aulas percorria dois quilômetros de bicicleta, aquela mesma bicicleta de meu irmão falecido. Foi a "herança" que ele deixou para mim, segundo meu pai em seu leito de morte. Ia de bicicleta até a biblioteca da cidade para ler, devorava livros, lia Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles,Monteiro Lobato (meu preferido), Clarice Lispector, Jorge Amado,Goethe, Victor Hugo, Miguel de Cervantes, adorava ler Dom Quixote.
No meu subconsciente mesmo sem eu me dar conta, queria substituir Sebastião. Deixei de lado banhos de rio e como só tinha eu em casa durante quase todo o dia e boa parte da noite, pois meu pais depois do trabalho se enfiavam para dentro do "boteco" e ás vezes chegavam em casa "rabiscando o chão" com as pernas, de tão bêbados! O que me intrigava é que eles nunca perdiam a hora de acordar para ir ao trabalho! Quando o caminhão fazia a curva para entrar em nossa rua, com o barulho que todo caminhão velho tem, trazendo além de gente na boleia, os primeiros raios de sol do dia, meus pais já estavam prontos sob o alpendre encostados na varanda, e deixando o café pronto para mim. Vai entender.
   Concluí o ensino médio e consegui imediatamente entrar para uma escola profissionalizante do governo de São Paulo onde só tinham quarenta vagas área, a minha colocação foi primeiro lugar, e o pai quando soube disto, quando soube por mim e pelos outros, subitamente do "nada" parou de beber. Comecei meu curso profissionalizante de Gestão do Meio Ambiente.
   Arranjei um emprego na venda do seu "chico" que me garantia um dinheirinho no final do mês. Lá se vendia tudo, desde Mertiolate, pregos, cimento até cachaça. E eu podia conversar com as pessoas, tentar educa-las ambientalmente já que atendia muita gente na venda.
   Pai parou de beber mas a mãe não, ela estava muito debilitada, não tinha conseguido absorver a morte três filhos, principalmente a de Sebastião e nem a fuga de Aparecida, já não ia mais trabalhar, não comia, muito embora na hora de meu almoço na venda, eu corria até em casa para dar de comida a ela, mas invariavelmente a encontrava no bar e era obrigado a traze-la á força para casa para alimenta-la, começou a falar sozinha, frases desconexas e sem sentido muito embora se ouvia claro e em bom som em uma dessas frases o nome de Sebastião. Sei dizer, que mãe foi definhando, definhando e um dia na hora do almoço fui direto ao bar para traze-la para casa e alimenta-la, mas ela não estava lá, "corri para casa e a encontrei deitada, com o banho tomado de vestido que ela só usava para ir a missa, um leve resquício de maquiagem, perfumada e com uma margarida no lado direito do cabelo, apoiado na orelha com os olhos serenamente abertos, só não respirava mais! À tarde daquele dia, parecia um mormaço de sol apino em que se dá uma preguiça e uma vontade "de fazer nada", e foi o que fiz, só fiquei olhando enternecido para minha mãe!
Pai chegou da roça e não se importou muito, ele podia não ser letrado mas conhecia a vida, sabia que mamãe não iria muito longe bebendo assim. Acho que no enterro eu vi uma lágrima em seu olho esquerdo, mas podia ser uma miragem, pois o sol abrasava os nossos "miolos" às duas da tarde.
   Fomos para casa sem balbuciar uma palavra sequer, cada qual absorto em seus pensamentos e tormentos.
Vimos um carro na porta, o carro era um Corcel, com uma moça apoiada nele, uma moça nova, não tinha vinte anos. De óculos escuros, gargantilha de ouro no pescoço, colares e anéis.
   Era minha irmã Aparecida, ela havia voltado como prometera para nos buscar! De carro, colares, anéis, eu presumo com muito dinheiro! Pai olhou fixamente para ela por uns dois intermináveis minutos, aquele olhar que se tem a impressão que vai "varar" o olho do outro de tão duro e cheio de reprovação e ao mesmo tempo de alívio.
   Abracei minha irmã e me desabei em lágrimas! Lágrimas por Sebastião, por mãe, por ela, Aparecida, ter ressurgido e se materializando a nossa frente, mais bonita, mais Aparecida do que nunca, que só nos detemos neste turbilhão de sentimentos e lembranças, ao ouvir uma espécie de rugido gutural como um animal ferido e agonizante dando adeus à vida! Corremos para ver o que era e ainda deu tempo de ver os pés de papai balançando e uma ponta da  corda retesa, presa numa das travas do alpendre e a outra em forma amarrada em forma de anel em volta de seu pescoço!
   Não sabemos até hoje por que que papai se matou, pode ter sido por desespero pela morte de mãe, ódio pela volta de Aparecida por que viemos mais tarde a saber que papai sabia onde ela estava e o que fazia para ter "enricado" tão rápido sem ter casado ou amigado. Minha irmã apesar de ter nome de santa, era puta, e papai sabia, deve ser por isso que não admitia que tocassem no nome de Aparecida dentro de casa! Se pudesse queria extirpar esse nome da face da terra! Era um nome proibido de ser pronunciado até mesmo por mamãe!
   Quem contou para papai sobre a real e verdadeira situação de Aparecida, foi um velho caminhoneiro que toda semana estava em São Paulo a passeio e para se deliciar a "comer umas putinhas novas" numa tal de Av. Indianópolis, ele comentou que Aparecida se destacava por aceitar até cartão de crédito, com certeza deve ter feito sexo com ela. Só sabemos que essa notícia ajudou a matar papai aos poucos! Foi como matar a "conta gotas", todos os dias através dos anos foi-lhe administrada uma dose de veneno diária, o pensamento o ódio matou papai! Não foi o remorso pela morte de Sebastião ou culpa por ter abandonado mamãe a própria sorte ou até raiva por não ter me dado a devida atenção após eu ter me esforçado tanto para ser igual a Sebastião.
  Cheguei do trabalho às dezessete horas para tomar banho e me arrumar para o último dia de aula. Eu havia completado meu curso, era um técnico em gestão do meio ambiente, me lembro exatamente o dia, era dia vinte e nove de novembro de mil novecentos e noventa, uma sexta feira.

   Enquanto tomava banho "viajava" em pensamento achava que Palmares Paulista era muito pequena para mim e já não fazia sentido estar ali. Foi aqui que perdi quase toda a minha família mas em contra partida foi aqui que trabalhei e me formei. Se tivéssemos ficado na Bahia teríamos morrido de fome. Mas queria trabalhar em minha profissão, ajudar a salvar o planeta, fazer uma faculdade de Engenharia Ambiental e quem sabe ganhar o mundo! Encontrar novamente minha irmã e tira-la das ruas, encontrar e casar com uma mulher decente que me amasse e me desse filhos, comprar uma casa de verdade para mim e sair dessa casa que só nos trouxe mais dor e sofrimento do que alegria! Nesse frenesi de pensamentos terminei meu banho e saí correndo só de cuecas para entrar em casa e me arrumar, quando vejo de soslaio o carro de Aparecida estacionado no portão. Já fazia oito meses que eu não à via, desde a morte da mãe e do desfecho trágico de pai, ela havia desaparecido novamente indo para São Paulo e continuado a "fazer a vida" segundo fiquei sabendo.
   Entrei pela cozinha e dei de cara com ela e o amante, namorado ou cliente se beijando ! Um beijo com sofreguidão onde as línguas se misturavam se entrelaçando com volúpia! Mas em contra partida era um beijo terro, beijo de namorados, beijo de uma irmã que veio ao interior de São Paulo encontrar o irmão para contar que não era mais puta, que havia encontrado um homem que sabia da mancha em sua história mas estava disposta a aceitar, veio para a formatura do irmão com o belo presente de ter mudado de vida, e com uma vaga de emprego para o irmão à tira colo, pois sabendo de sua formatura através de contatos que ainda mantinha em Palmares Paulista, conseguiu um cargo de estagiário em uma grande empresa através do futuro marido. Não sei por que achei que esse homem que estava com ela era o tal caminhoneiro que havia contado para o papai da situação de Aparecida em São Paulo e momentaneamente fiquei louco, virei um verdadeiro animal colérico e
 desci  afoice Que era de papai! Primeiro em Aparecida, não sei por que, mas ela foi a primeira a ser atingida! Não posso precisar quantos golpes eu dei, depois ataquei o namorado de nome Humberto com tantos golpes que quase separei seu tronco do resto do corpo, tamanha era minha fúria e violência. Fúria da vida, fúria pela perda de meus irmãos principalmente de Sebastião, raiva de Aparecida, dó de maínhã que morreu bêbada de tanta raiva que tinha da vida que tinha.Papai dizia que menino não pode chorar e eu só chorei quando revi Aparecida no enterro de mamãe, não chorava, tinha que mostrar que era homem e homem não chora, não chora mas mata!
   No julgamento e pela televisão é que fiquei sabendo realmente quem era Humberto e as intenções nobres dele, mas era tarde.
   O advogado de defesa disse que eu estava "possuído" e que naquele momento eu não estava provido de minha consciência. Mas eu digo, eu agi com uma mistura de raiva-ódio e impotência.
   Se tudo der certo e eu me portar bem, daqui à quatro anos e cinco meses eu vou serei solto, pois como atenuante eu tenho residência fixa sou primário, mas prefiro morrer, não me restou nada neste mundo, só ficou eu e os fantasmas que eu vejo toda noite na minha cela, uns chorando e outro querendo vingança.
 
























terça-feira, 4 de setembro de 2012

SEU CHEIROSO!!

   Sempre tive o hábito de ler! Lia tudo o que me passava pela frente, é um vício que carrego até hoje e que acho ótimo! O vício do fumo, da bebida em geral os vícios das drogas eu parei totalmente com eles, não me entendam mal, mas cigarro e bebida são drogas, lícitas mas são. Mas a leitura eu não consigo, ainda bem. Para vocês terem uma ideia de quanto isso é verdadeiro, eu estou lendo ao mesmo tempo mas alternadamente, Ruy Castro, com o "anjo pornográfico", uma bibliografia de Nelson Rodrigues, Dan Brown, com Anjos e Demônios" e William P. Young  com "A Cabana", recomendo os três, são ótimos!
   Vamos ao que interessa, eu tenho um vizinho já um senhor de idade, um mulato com a "carapinha" toda branquinha de nome Alfredo. Apesar dos cabelos denunciarem a sua idade, ele era muito jovial, vivia com sua bicicleta pra cima e pra baixo, não desgrudava dela por nada. Ele ia de Santana,que é uma região de São Paulo capital até a Praia Grande, noventa quilômetros!
   Não se sabe porque, seu Alfredo tinha o estranho apelido de "cheiroso", e é lógico ele abominava quando o chamavam assim, xingava, tacava pedra na molecada da rua, era um inferno! Sinal que o apelido não foi dado por seu Alfredo ser realmente um homem cheiroso. Era o seu Alfredo despontar na esquina com sua bicicleta, que alguém gritava "CHEIROSO" e esses gritos espalhavam-se pela rua vindo de diversos cantos e casas, parecia coisa combinada, seu Alfredo chegava e os gritos de "cheiroso" se espalhavam. No início eu descia, falava com a molecada para não fazer isso, pedia para respeitar os mais velhos, e mostrava que seu Alfredo poderia facilmente ter a idade para ser avó deles, Depois de toda essa conversa o glorioso apelido de "cheiroso" era abolido por no máximo uma ou duas semanas, depois como por encanto, voltava de novo e era gritado a plenos pulmões, "CHEIROSO"!!
   "Cheiroso", ou melhor seu Alfredo, conhecia muita gente, era aposentado, trabalhou a vida toda na Dataprev e resolveu arriscar, se filiou a um partido político e candidatou-se a Vereador, sob que alcunha? "Cheiroso" ! Distribuía "santinhos" com a sua foto e em vez do seu nome, lia-se: Vote em cheiroso!
   Não preciso nem dizer que o apelido perdeu a graça, acabou virando alcunha política e "Cheiroso" ganhou a eleição! Sabem como é, brasileiro vota em qualquer coisa em sinal de protesto, até o "Tiririca", o Clodovil e o Lula ganharam!
   Morava em nossa rua uma moça que devia ter no máximo vinte e seis anos. Mulata, seios fartos, alta e com uma bunda simplesmente fantástica, cabelos que chegavam quase que eroticamente a tocar nela, e olhos verdes. De cima de casa que ficava um nível mais alto que a rua, tipo um segundo andar, eu ouvia a molecada falar de seus atributos. Era uma espécie de "amante dos moleques", pois todos já haviam se masturbado pensando nela e fazendo mil loucuras pelo que eu escutava em fragmentos de conversa. Tinha descendência italiana por parte de pai e negro por parte de mãe.

   Bem, não se sabe o porque, ou até se sabe, mas não querendo ser maldizente, seu Alfredo, agora "Cheiroso" conseguiu a façanha de "casar" juntar-se a Ginnabertta, esse era o nome da mulata que ensandecia a molecada e por que não dizer, a nós adultos também. O que que um cargo e dinheiro não fazem! Um senhor com seguramente com mais de setenta anos conseguir " com a casar-se" com a voluptuosa Ginnabertta.
Tudo estava dando certo na vida de seu Alfredo; casamento, cargo político, era adorado na rua, pois mandou asfalta-la, essa era uma revindicação antiga dos moradores, mandou limpar e planar um terreno baldio e colocou traves e marcou um campinho de futebol! Mandou colocar duas lixeiras e regularizou a situação de uma creche que estava irregular a anos! Pronto, tava garantida mais uma eleição! O "cheiroso" foi devidamente e subitamente sepultado e nasceu o Alfredo, "o amigo do bairro"! Nós só não entendiamos o que seu Alfredo fazia nas alcovas com um "furacão" como Ginnabertta, a mulata de parar o transito!
   To vindo para casa após o trabalho e vejo uma turba na porta da casa de seu Alfredo, pessoas chorando se descabelando, homens incrédulos, a molecada assanhada e assustada ao mesmo tempo, uma balbúrdia só; Seu Alfredo havia morrido! Morte súbita, o coração simplesmente parou. O comentário que "rolava" na rua, é que morreu de preocupação com algum projeto, mas a boca miúda dizia-se que ele não aguentou o "tranco" com Ginnabertta. Mas tudo não passava de suposições.
   Seis meses depois, a senhora Ginnabertta estava jogando fora algumas coisas e eu pude perceber três sacos de lixo, desses que são de supermercados que agente leva a compra e depois serve para colocar lixo. Com diversas embalagens de remédio dentro. Esperei ela se afastar e fui examinar o conteúdo dos sacos, tal qual um Sherlock Holmes, utilizando o recurso da leitura e da investigação, e fiquei abismado com o que vi! Tinham seguramente umas cem embalagens de Viagra e umas vinte de Cialis. Fiquei atônito, seu Alfredo morreu por amor!
   Estava tomando café na varanda quando vejo Ginnabertta dobrar a rua, com seu vestido de chita, batom e poca maquiagem, cabelos negríssimos balançando ao vento que soprava aquela hora da tarde, quando escuto alguns gritos tímidos mas que vão tornando-se vozes da molecada.
   "Ginnabertta cheirosa"
   Pronto, tinha herdado o apelido!
 
















sábado, 1 de setembro de 2012

PUTA QUE PARIU!!

       Sempre tive vontade de escrever sobre isso! Mas, puta que pariu, por que que nunca escrevi? Sei lá, as pessoas podiam interpretar mal, me chamar de "boca suja". Quando eu era pequeno se tentasse explicar isso minha avó ameaçava colocar pimenta em minha boca! Mas só ameaçava, eu sabia que ela não teria coragem de tomar uma atitude desta, era um doce de criatura, mas puta que pariu ela já se foi! E eu vou começar por aqui. Neste caso de minha avó ter falecido, esse"puta que pariu" foi para dizer que ela partiu cedo, poderia ter ficado um pouco mais conosco aqui nesta terra inóspita, mas em contra partida ela tava sofrendo tanto com sua doença, que "puta que pariu", foi melhor ela ter nós deixado. Esse "puta que pariu" que falei agora foi bendizendo, quase que um "graças a Deus!
       Mas um "puta que pariu" pode ter diferentes e inúmeros significados dos mais diversos mas com a mesma aplicação, querem ver:
       "Puta que pariu esse jogo de hoje vai ser um teste para cardíaco". Quer dizer que provavelmente será um jogo empolgante e emocionante que fará nossa pressão arterial subir até quase entrar em ebulição!
       " Puta que pariu, não posso contar com esse funcionário". Quer dizer que é um funcionário problema, esse puta que pariu funciona na frase como um "poxa".
       "Puta que pariu, você é fogo hein"? Esse aí quer dizer.Nossa você hein!
       "Puta que pariu, cala essa boca"! Ah esse puta que pariu e só pra reforçar para que você cale realmente a boca, se não, puta que pariu, vai dar merda!
         Puta que pariu, na verdade, é algum filho da puta chamando sua mãe de vadia! então ele é que vá para a puta que pariu. E o vai para puta que te pariu, é o mesmo que chamar para a porrada!
       Tem puta que pariu que é ruim de ouvir, tipo assim: "Puta que pariu você só faz merda ou puta que pariu, que merda que você fez, que no fundo é a mesma coisa, e quer dizer que você faz uma uma cagada atrás da outra ! Também este é ruim:
       "Puta que pariu já te expliquei dezenas de vezes e você continua fazendo errado"! Esse puta que pariu, serviu para te chamar de "burro", "cavalo" e na pior das hipóteses um verdadeiro "jegue".
       "Puta que pariu, ainda bem que era você". Esse então tem significados a "dar com pau", vamos dar alguns exemplos. Alguém chega em casa e ela está na mais absoluta escuridão, sem uma luz acesa e ao entrar dá de cara com você. Esse puta que pariu, foi bem vindo, pois era você e não um ladrão.
       Tem um puta que pariu que é clássico. É aquele que você tá entrando com o carro na garagem do motel e vê seu amigo saindo com o carro, do quarto ao lado e os dois se veem! E nesta ocasião não eram as "oficiais" que estavam no respectivos bancos do carona. O puta que pariu mais bendito não? Agora quando uma delas é a "oficial" de um dos, aí meu amigo, puta que pariuuuu, se nesta ocasião você for o "felizardo" você tá fodido! Puta que pariu, que azar!
       Deixei para o final, pois tem puta que pariu que é uma d e l i c i a escutar, que ver?
       "Puta que pariu... To quase chegando... Quer dizer que ela tá quase realmente chegando ou que é uma artista e representa muito bem!
        "Puta que pariu... Não para não... Pode ser realmente para você não parar pois sua parceira está quase lá, faltando muito pouco, ou pode ser também para você não parar mesmo, que é para acabar logo esse suplício, sinal que você é um merda.
       Agora o pior puta que pariu de todos, aquele que macera a alma.
       "Puta que pariu, já acabou? Esse parceiro, é aquele "puta que pariu" de ejaculação precoce ou de quem não soube esperar pelo outro! É realmente um puta que pariu sonoro!
       Pronto! Matei minha vontade! De agora em diante só farei colocações corretas sem "palavras feias", mas um "puta que pariu" não mata ninguém né?








TECLADO...

       Teclado... É através dele que com toques suaves, bem suaves, quase um carinho. Aliás é um carinho, eu consigo adentrar com ideias, pensamentos, opiniões e dúvidas entrar em suas mentes e ficar lá, nem que seja por alguns minutos regozijando esse momento único entre eu e vocês, uníssonos.
       Vou teclando e derramando idéias e opiniões num turbilhão ciclópico que vão sendo absorvidas em algumas vezes avidamente do prazer da leitura ou rechaçada veementemente do que foi escrito! É o dever do escritor! Se isso for conseguido, ele "fez o dever de casa", Conseguiu num ápice arrancar um "orgasmo" literário em uns, dúvidas em outros e rechaço em alguns.
       Antes se escrevia à Maquina de Escrever como a da foto ao lado. Na minha opinião era muito impessoal. Colocava-se o papel enquadrava-o e escrevia-se. Tinha um barulho horrível tipo as pontas dos dedos batendo sistematicamente e  insanamente numa taboa, ta-ta-ta-ta-ta-ta era o barulho infernal. Parava-se para corrigir usando sempre a palavra, "digo", por que se não teria que trocar o papel, corrigir o erro e reescrever tudo o que já estava escrito. E quando findava-se uma folha, colocava-se outra e repetia-se todo o processo. Tirava-se cópia e mandava para uma editora e esperava o resultado. Que trabalho insano impessoal e distante dos leitores!
       Louvem-se os escritores antigos pois com  todos esses percalços ainda conseguia extasiar-nos e fazer-nos entrar em seus mundos ilusórios mas para nós tão verdadeiros! Quem nunca delirou com Jorge Amado e não teve vontade de ser um "Capitão de Areia", um Pedro Bala ou o Gato e ter uma história de amor com a Dorinha? Ou em "Mar Morto do mesmo Jorge Amado, ser um "Guma" e se perder de amor por Lívia, ou singrar o mar em um saveiro como Mestre Manoel com a amada Ana Clara, que amansava as ondas para o saveirista ter uma viagem tranquila. Ou até momentaneamente não mudou de religião por extasiar-se com uma descrição tão linda de um Orixá do Candomblé. Quem não foi uma vez na vida um obsceno o imoral tão gostosamente e volúptuosamente  ao ler um livro de Nélsom Rodrigues?
       Quem não teve muita raiva de Bentinho no romance de Machado de Assis? Eu continuo achando até hoje, que ele era corno de Capitu, que Escobar era um canalha e Ezequiel era fruto de um romance proibido de Capitu com Escobar! O adultério neste romance é uma incógnita! Isso editado pela primeira vez em mil oitocentos e oitenta e nove, e até hoje divide opiniões.
     Repito, esse é o papel do escritor. Esses que eu mencionei são os que tenho verdadeira adoração! Adoro outros, mas sempre são esses nomes que me vem sempre primeiro a cabeça.
      É redundante afirmar isto, mas o grande escritor alcança a imortalidade mesmo sendo adorado ou odiado, mas seu nome vai ser sempre lembrado e discutido em uma rodinha de "intelectuais". Até Carlos Zéfiro tornou-se um imortal. Com certeza não terá seu lugar na Academia Brasileira de Letras mas é um imortal para alguns e eu me incluo a tentar perpetrar essa obscena imortalidade.
   












   E tudo isto saiu através de pensamentos, desejos, voluptas e infortúnios materializaram-se na datilografia  em uma Máquina.
        Vendo a coisa de outro prisma a Máquina de Escrever pode também ser comparada a um violador que num frenesi avassalador datilografa inundando a folha de papel, mas demora muito a ser lido é um processo muito "cheio de preliminares"! São tantas preliminares que quando se chega ao ápice a sensação é de ter tocado e acarinhado o "ponto G"!
        Prefiro o teclado, é mais silencioso, como um "gatuno" entrando em uma residência altas horas da noite sem fazer barulho, ser notado momentaneamente mas avassalador depois!
        Vamos varar a noite com as nossas opiniões sobre quem leva vantagens, o teclado de um PC ou a velha Máquina de Escrever, mas os dois nos fazem remeter a sonhos, a literalmente "viajar" e sublimar quase sempre em outra realidade!
       É a nossa imaginação!

       Eu, um pseudo escritor, você um futuro escritor e você, escritor, dê sempre asas a sua imaginação e voe e com seu voo, faça milhares, sonhar e viajar!