... Bem o que vou contar agora foi o que eu escutei de minha esposa e dos familiares.
Meus familiares ficaram no quarto aguardando a cirurgia terminar, segundo eu soube não pode, eles teriam que sair do quarto para este para ser desinfectado para o próximo paciente, mas como o prognóstico era o pior possível, a direção do hospital deixou meus familiares ficarem no quarto. Poucas pessoas acreditavam que iria dar certo, pois o próprio neurocirurgião havia dito que essa região do cérebro não se opera, a cirurgia era somente uma tentativa para não se dizer que nada foi tentado. A espera era por um MILAGRE, e as vezes eles acontecem...
Dezenas de pessoas, amigos, estavam orando por mim! Amigos do trabalho, amigos da escola da Mariângela, meus irmãos que são tão importante pra mim, todos! Mariângela disse que ficou impressionada como eu era bem querido e a mobilização que isto estava estava causando! Eu, me agarrei com São Jorge e com São Francisco de Assis, ou com Ogum e Oxossi se assim preferirem e me entreguei.
Depois de cinco horas de operação minha família resolveu descer para a ante sala cirúrgica para ver se tinha notícia, boa ou ruim. O Bruno passou mal e levaram ele para o quarto, deve ter sido foda pra ele, a Claudia falou que se tivesse que dar merda já tinha dado, que tudo ia correr bem, a Teresa não dava uma palavra, imagino o filme que passou na cabeça dela, nossa infância adolescência, tudo o que nós passamos pela vida. Costumo dizer que ela apesar de ser um ano mais nova ela é como uma mãe para mim, sempre me ajudando, me apoiando, reclamando, dando bronca. Fomos parentes em outra vida. Meu irmão Belini não pode vir por causa do trabalho mas rezou também, até meu pai largou a família atual dele e apareceu no hospital!! Nossa, milagres acontecem rsrsrsrsrs!!!
A operação durou cinco horas e meia, ao término dela, uma janelinha foi aberta e o Doutor Antonio sorridente disse que a operação foi um sucesso! Eu pelo menos estava vivo! Bem, minhas chances aumentaram 90%! Mariângela conta que foi uma choradeira geral, todo mundo se abraçou se beijou como se fosse um gol do Vasco! Acredito eu, que ao chegar "la em cima" e me mandaram descer pois eu ainda tinha uma missão a cumprir aqui na Terra.
Fui encaminhado para a UTI, cheio de tubos e aparelhos ligados em mim. Lá pelas 17:00 eu vi uma luz estranha, vermelha e uma cortina se abriu, eu havia aberto os olhos, a luz vermelha era a televisão e a cortina era da UTI. Vi a Mariângela entrar e segurar minha mão esquerda e meu pai segurar a mão direita e eles apertaram minhas mãos e eu respondi ao aperto, meu pai chorou um pouco e saiu para a minha irmã Teresa poder entrar. Lembro que disse a Mariângela que a amava e apertei a sua mão uma vez e voltei a dormir, estava muito sedado, nem consegui ver minha irmã Teresa, apaguei. Minha irmã Teresa não quis voltar ao Rio de Janeiro até me ver acordado e ver que eu estava bem. Ela tem dois filhos, o João Pedro e a Alice, crianças e ela abdicou dos filhos para ficar comigo, meu pai; voltou para o Rio.
As primeiras 72 horas são as horas criticas aonde tudo pode acontecer, sabia-se que tetraplégico eu não estava, eu consegui apertar as mãos das pessoas, bom sinal, podia estar paraplégico, mas era uma opção melhor que a primeira!
Teresa dormiu na UTI comigo e aí aconteceu a coisa mais louca do mundo! Eu vi primeiro a Dona Albertina e a Dione, lembro inclusive das roupas delas e eu falei com minha irmã que estava vendo elas, minha irmã ligou para a Mariângela e falou com ela apavorada e pediu ajuda, perguntou o que ela poderia fazer e a Mariângela falou, reza e ora por ele, elas sumiram e aí eu vi ao meu lado direito da cama a minha mãe e minha avó, a minha irmã estava no meio das duas e elas me acariciavam, minha avó chorava, mas não era um choro de tristeza, era um choro de alívio, falei com a Teresa da presença delas, elas estavam lindas, esplendorosas e eu sorri e dormi de novo. Todas essas pessoas que eu mencionei já faleceram, minha mãe, minha avó, Dione era minha madrasta e a dona Albertina era a mãe dela. Minha avó, como eu adorava ela, havia ajudado a nos criar apos a morte de minha mãe, era um doce, graças a Deus está agora em outro plano espiritual.
Ia me esquecendo de um detalhe muito interessante, um dia antes da minha cirurgia, eu já não enxergava direito, só via vultos e havia uma pessoa chorando muito no quarto na hora da oração que iriamos fazer, mas chorava muito e nada falava, eu perguntei quem estava chorando tanto, as pessoas me disseram que não havia ninguém chorando, que eu estava enganado, mas estava, quem chorava era era minha falecida sogra dona Leonor, viemos a saber depois.
Amanhã eu continuo...
Errou em um detalhe:Eu comemorei como se fosse um gol do MENGOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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