sábado, 15 de dezembro de 2012

HIPOCRISIA

  Por curiosidade entrei em uma espécie nave! Não sabia o que era, mas quando vi uma porta aberta com uma luz ofuscante com uma espécie de imã me chamando curioso eu entrei, afinal a curiosidade sempre foi o meu forte, tenho um "que" de jornalista investigador, mas meus amigos acham na realidade que eu sou é fofoqueiro. Era a porta de uma nave! Assim que eu entrei as luzes de dentro do invólucro ficaram mais suaves e a porta fechou-se rápida e  hermeticamente sem me dar a mínima chance de retroceder! Estava preso! Não havia em parte alguma uma alavanca ou botão para que eu pudesse usar para abrir a porta. Procurei uma alavanca para fazer um calço e assim tentar abrir a porta para me ver livre, mas não tinha nada que eu pudesse usar. Vi uma espécie de algo que eu achei que fosse uma televisão gigantesca pois ia de uma ponta a outra dessa nave, uma poltrona confortabilíssima, pois eu sentei  e pude comprar, que estava localizada bem em frente a essa espécie de televisão, afastada uns cinco metros à frente e nessa poltrona existiam três botões para regulagem, rapidamente descobri que regulavam o encosto da poltrona,  o assento da mesma e o apoio para os pés.
  Estava eu ainda assustado por não achar uma saída mas também maravilhado com aquela espécie de televisão gigantesca quando senti um leve tremor como se a nave estivesse tentando mover-se, as luzes internas apagaram-se quase que totalmente deixando o ambiente interno na penumbra e uma música suave e angelical bem baixinho tomou conta do ambiente, parecia uma canção de ninar, tão bela, tão divina e comovente! Não  eram músicas  terrenas, tenho certeza! Eram músicas tocadas por seres divinais tão bela que eram! Até hoje quando essas cena me vem à mente, eu só consigo lembrar de anjos, muito embora nunca tenha visto um, ou já os vi dezenas de vezes mas não enxerguei, não por culpa deles, mas só minha!







 A nave movia-se lentamente e no mesmo ritmo e compasso, a sensação que dava era que estava me embalando. A música que nunca tinha ouvido tocando baixinho a nave balançando no mesmo compasso, uma poltrona deliciosa de tão aconchegante que meus olhos começaram a ficar pesados e sem eu perceber caí em um sono profundo e pesado. Até hoje não sei se dormi realmente e se era uma nave  de verdade, mas as cenas que comecei a presenciar a partir deste momento, me fizeram pensar, retroceder e dar um novo rumo a minha vida, uma guinada de 180º!
  A televisão gigante, era na realidade uma espécie de tv mesmo. Acendeu e focou com imagens nítidas e claras, só com um pequeno borrão no meio, como se fosse alguém desfocado. Vi pessoas num corre corre total indo apressadas, eram pessoas desconhecidas com embrulhos nas mãos que pareciam presentes pois tinham enfeites natalinos na embalagem. Passavam umas pelas outras sem nem se dar conta, sem um gesto de cordialidade, pareciam autômatas como robôs. No canto superior direito dessa tela gigantesca existia a data: 12/12/2012. Essa imagem sumiu mas entrou outra na sequencia com essa mesmas pessoas em abrigos de crianças e de idosos dando aqueles presentes que eu havia visto na imagem anterior, em festas de confraternização fazendo essas crianças e idosos felizes! A imagem "fechou" e entrou outra só que com outro dia.
 No canto superior da tela marcava 15/12/2012 e essas pessoas estavam cada uma em lugares diferentes fazendo uma espécie de caridade; distribuindo sopa na madrugada, dando conforto à crianças que dormiam embaixo de marquises dando presentes a elas e uma lauta janta. A imagem "fechou" mais uma vez e agora era de dia, dia 20/12/2012, as mesmas pessoas dos dias anteriores, no mesmo corre corre nas ruas com mais presentes, só que mais cordiais, olhavam uns nos olhos dos outros e maneavam a cabeça cumprimentando-se e até davam "oi" umas as outras.
  Eu não tava entendendo nada, mas alguma coisa me incomodava e incomodava bastante. Uma acidez me subia no estômago a cabeça doía um pouco e senti meu "coração" em frangalhos! Que sensação estranha essa, nada daquilo dizia respeito a mim, eu não conhecia essas pessoas, mas aquilo tudo me dava um desassossego, um vazio que eu não sabia explicar! Eu comecei a achar que estava de intrujão no sonho de outra pessoa.
  Vislumbrei novamente a imagem, tentando não dar muita atenção a essas sensações estranhas que estava sentindo, devia fazer parte do sonho essa especie de incomodo essa sensação de "algo errado", e comecei a pensar: "Estranho, primeiro as pessoas nem se falavam, passavam umas pelas outras como se as outras não existissem, cada uma dando atenção ao próprio umbigo, depois começam a dar presentes e atenção à pessoas estranhas umas as outras, indo à abrigos, lar de velhinhos, passando boa parte da madrugada acordadas distribuindo sopa e presente a criança maltrapilhas. Alguma coisa não batia, tinha algo errado!"
  Fiquei olhando a tela intrigado, fixando aquela imagem borrada. Sabia que era uma pessoa mas não conseguia visualizar "quem"; me atrevi a chegar perto e tentar limpá-la com minha camisa, mas não era sujeira, era alguma imperfeição na própria tela, pensei comigo: "Vai ver que essa tv é velha e muito usada"
   Vi que entre essas centenas de pessoas, existiam parentes umas das outras. A imagem "fechou" novamente e num átimo de milésimos de segundo veio outra. Essas pessoas parentes umas das outras com fortes laços consanguíneos passavam o ano sem se falar sem se perguntarem pelo menos ao telefone como estavam, ou até mesmo se estavam vivos! Consegui ver isto pois nesta tela de televisão gigante com a data no canto superior direito, os dias dessas pessoas passavam em milésimo de segundos, nesta data que estava no canto da tela, era dia 24/12/2012 e essas pessoas começaram como robôs quando se coloca pilha, a ligarem umas para as outras, o transito ficou caótico pois algumas iam às casas das outras abraçaram-se e choravam, pais procuravam filhos e vice versa a coisa ganhava uma proporção que assemelhava-se à uma grande e infinita balbúrdia! A palavra que eu mais pude ouvir era "PERDÃO", aliás, a única!
 "-Perdão por isso ou por aquilo, eu não quis dizer isso, você me magoou por aquilo"!
"- Deixei de falar com você pois fiquei magoado e  chateado para não dizer outra coisa ai inventei um monte de coisa sobre você só para deixa-lo(a) mal com os outros, mas agora estou disposto(a) a esquecer! Dá cá um abraço"!
"- Venha meu menino(a) tome essa sopa ela está quentinha, cheia de legumes, carnes e macarrão de letrinhas! Deixa eu limpa-lo(a) para você comer limpinho! Me dê um beijo e eu abraço, vamos comemorar e confraternizar o dia de hoje"!







  Não sei como, aliás até sei, pois se era um sonho tudo poderia ser possível, mas uma voz maravilhosa musical adentrou minha mente e ouvi claramente, nitidamente e pausadamente:
 "- O que fizeste dos meus filhos que eu te confiei?
Ao ouvir essa indagação em tom imperativo dirigida à mim e a todos , eu só consegui chorar! Era a indagação do "Pai", do pai angustiado mas sabedor do que ocorria, afinal ele vê tudo.
" -Tomes os presentes! Um para cada um! Ho,Ho,Ho! Hoje é o dia cristão minhas criancinhas! Ho,Ho,Ho!










 Essas imagens e palavras  passavam na tela da tv, e em minha mente a indagação do "Pai". Tudo quase que em câmara lenta, olhei a tela da tv e vi a hora 23:30! Olhei a imagem e ela estava nítida, sem nenhum borrão ou defeito, realmente eu estava certo, existia uma pessoa na imagem que eu achava que estava borrada! Não estava borrada não, ela estava nítida o tempo inteiro na tela, eu é que não via, pois nunca tive coragem de olhar diretamente no espelho de minh'alma e encarar-me, e ver que eu era igual à tantos e a todos
  Era natal! A data na tela da tv gigante informava-me; era natal!
  O natal tinha que ser todo dia! Mas não o natal do comércio do Papai-Noel.  A essência do natal devia florescer no coração do homem todos os dias! Todos os dias as crianças precisam de um beijo um abraço sentir-se queridas e amadas! Todos os dias moradores de rua, velhos jovens ou crianças tem fome e precisam de algo, de um olhar, de compaixão de ser escutado ao falarem seus problemas, aflições e o motivo que os fizeram estar nesta situação em que se encontram!
  Novamente aquela voz magnífica melodiosa veio a minha mente com um misto de indagação:
 "- Amaste o teu próximo como a ti mesmo e deste a vida à um irmão? Era mais uma pergunta do "Pai".
Pergunta simples e fácil de ser respondida, mas tinha que ser respondida com o coração com a alma!
     Mais uma vez não consegui responder pois meus olhos literalmente viraram uma cachoeira! Amar um amigo ou um irmão é fácil, o bem maior é amar um inimigo, e isso ainda não conseguimos fazer! Dar a vida à um irmão, não é se matar para dar a vida a outro, é fazer o bem sem olhar a quem!
Vigiai e orai, pois Jesus disse "entrem pela porta estreita porque a porta larga e o caminho amplo levam à perdição". A porta larga e o caminho amplo, são os prazeres terrenos as tentações que nos desviam de ajudar nosso semelhante, nosso irmão, de carne ou de espírito!



  FELIZ NATAL DIÁRIO À TODOS!!!











segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

VAI COM DEUS!!

  Você cresceu e me viu crescer. Você limpou quantas e quantas vezes a minha bunda pois eu tinha nojo e não sabia me limpar direito. Coava meu leite e meu suco de laranja pois eu não gostava de nata e nem de bagaço. Me protegia no carnaval pois eu tinha pavor dos bate-bola quanto batiam as bexigas no chão para amedrontar as crianças, e amedrontavam! Eu tinha um pavor absoluto e não podia demonstra-lo, mas você sabia e me defendia. Isso foi em um tempo longínquo, lá em um bairro chamado Vaz-Lobo, onde você com suas irmãs e nossos tios moravam em uma das primeiras casas da vila, e nós, eu minha irmã e minha avó morávamos em uma das casas no final da vila.
  Lembro de quando dormíamos com vocês na casa da tia, eu e minha irmã, você não deixava sua irmã me colocar camisola para dormir! Legal, afinal eu era homem porra, mas ás vezes passava desapercebido, você não via e pronto, lá vinha a Celina me por camisola e ela era tão "perversa", que se eu quisesse ir ao banheiro fazer o número 2,e se só tivéssemos só nos dois em casa, hummm, eu ia ficar cagado algumas horas no banheiro pois ela não me limpava. Minha mãe morreu cedo eu quase não a conheci, mas você fez o seu papel de mãe comigo e com minha irmã, já se exercitava para quando viessem os seus.
  Lembro que meu pai proibiu o uso da chupeta mas eu tinha uma guardada em sua casa para um momento de desespero que era toda noite, e você nunca me dedurou.
  Lembro também que titia era costureira e sua casa vivia cheia de freguesas dela e eu aproveitava em um ou outro momento de distração da titia para olhar as mulheres de roupa íntima. Eu já era safado nessa época, e você junto com Celina e Dionir me assustavam com um manequim sem cabeça, parecido com esse da foto, mas muito mais assustador, ele era de ferro, aberto na frente, tipo um sulco, aquilo me dava medo!

Sem contar a régua da tia que as vezes eu era ameaçado sem nenhum "motivo" afinal eu era um anjinho! Mas os chifrinhos já estavam despontando rsrs!
  Acompanhei e seu namoro e vibrava para que desse certo, aliás acompanhei o namoro de vocês três, das tês irmãs, minhas primas tão importantes para mim e que me ajudaram tanto em meu início de vida.
  As brincadeiras que fazíamos com nossos tios por causa da música dos "Fevers"- "Mar de Rosas", essa era a capa do LP. Olha que absurdo, nós somos do tempo do LP! Não somos velhos, somos experientes!

 Fui ao teu casamento e fiquei feliz, você casou com meu padrinho, um homem, não um moleque. Um homem de verdade, que tinha defeitos como todos tem, mas era um homem na mais completa acepção da palavra, e dessa união veio sua filha que casou e te deu netos, netos lindos por sinal! A beleza aliás é a marca registrada da família!
  Você passou por inúmeros revezes, o baque do desaparecimento do marido, meu padrinho, por confiar foi enganada, ludibriada, mas acredito que tudo isso só serviu para o seu engrandecimento espiritual. Apesar de estar morando distante, fui ao Rio diversas vezes e não fui visita-la. Não vi suas irmãs, minha tia, meu tio! Quanto relaxo meu! Logo eu que adorava ir a casa da tia quando era moleque. A gente cresce e vai meio que abandonando a família.
 Acompanhei um pouco do seu problema através de notícias esporádicas vindo diretamente do Facebook, que por sinal com raiva acabei com ele. Mas não tive coragem de ligar para saber como você estava, fazer uma oração, ligar para minha tia quando meu tio partiu para dar os pêsames ou até chorar junto com ele, afinal gostava muito dele! Lembro dele fumando com os pés apoiados no sofá aquele cinzeiro enorme ao lado, tá aí a foto do cinzeiro se não me engano na época o cigarro era Minister, com minha tia no quarto costurando para as clientes.













  O que não sai da minha cabeça era o teu sorriso! Lindo, doce cheio de ternura! Lembro quando você ia ao açougue com a filha no colo, você não largava ela, era unha e carne!
  O tempo infelizmente passou, somos vítima inexoráveis dele. Mas lembro de cada detalhe de nossas vidas nessa época maravilhosa. Você com sua "viagem" me fez voltar ao passado e ser feliz novamente. Lembrei de tanta gente que foi muito importante para mim após a passagem de minha mãe, e quem sabe agora vai encontrar com você.
  Vai com Deus minha Prima!! Jesus te aguarda!












sexta-feira, 30 de novembro de 2012

PARABÉNS!!!!!!!!!!

 Nasceu em cinco de dezembro de 1967. Não sei se à noite ou de dia, acredita-se que foi ao meio-dia, como pode ter sido à meia-noite, mas isso não importa muito para que eu possa contar a história desse ser, dessa criatura, desse ser humano fantástico, chamado à principio de Maria Teresa Santos da Costa.
 Nasceu como nascem todas as crianças dês de quando o mundo é mundo, com cara de "nada" ou se preferirem com cara de "joelho"! À partir de hoje, comecem a reparar no que estou dizendo,toda criança nasce com cara de "joelho", ou seja cara de "nada", pois nada está definido, o nariz, os olhos, a cor dos olhos, o tamanho da orelha, o cabelo e etc. Eu por exemplo nasci com uma puta orelha de "abano" e meu cabelo era liso, depois virou a merda que virou e por fim eu o perdi quase todo! As pessoas dizem: Oh, nasceu a cara do pai ou da mãe, olha esse dedo mindinho é mesmo dedo mindinho do pai! Ou assim: Nossa  tem a mesma boca da mãe!
Uma puta de uma mentira! As pessoas falam isso só para agradar, ou por que não tem o que falar, e aí falam qualquer "bosta" só para poder dizer alguma coisa, tipo assim para não deixar passar em "branco".
 Mas voltando ao assunto, neste dia nasceu essa menina com cara de "joelho", mas um "joelho" enfezado".


Lógico que não é ela, é só uma foto ilustrativa, até por que procurei no Google alguma foto de Maria Tereza bebezinha e não encontrei, a família tenho a mais absoluta certeza que não à tem, pois quem poderia ter era a mãe, mas ela se fora cedo, com um ano e meio essa bebé era órfã de mãe! A mamãe se foi no plano material, mas no espiritual sempre esteve presente para ampara-la e ajuda-la.

 Quando não tinha jeito, deixava-a cair, mas fazia que fosse um tombo leve e não a  machucasse muito. Foi criada pelo pai com a ajuda da avó, mãe de sua mãe, e que avó espetacular essa menina teve a sorte de ter durante um grande período de sua vida, o nome da vovó era Zuraida mas era carinhosamente chamada de "Dadai".
 O pai casou-se novamente e lá se foi Maria Tereza em companhia do irmão do pai e da madrasta a constituir um novo núcleo familiar, Dadai não foi com eles, ficou em sua casa, ela morava em um prédio próximo a casa da nova família, na rua Dois de Fevereiro, à pé dava uns trinta minutos e ela sempre ia ver os netos e eles adoravam ver a avó, até que um dia houve uma rusga de ciúmes e a madrasta exigiu que o pai impedisse a avó de ver os netos, mas a "velinha" era fogo, os via escondido quando eles iam à escola, até que um dia essa rusga passou e a avó pode enfim ver os netos.
Coitada dela, a filha havia morrido, sobraram os netos e ela não podia vê-los por algum tempo, mas Deus é maior e corrigiu tudo.
 Essa foto é de um aniversário de algum dos dois, e essa senhora ao centro é a doce Dadai a vovó.
 Maria Tereza ganhou ao logo do tempo mais dois irmãozinhos frutos do casamento de seu pai com sua madrasta, a Cláudia e o Frederico Bellini que com o passar dos anos virou só Bellini, o Frederico ficou só na certidão de nascimento e aí que começa a sua história.
 Quando Cláudia nasceu, Maria Tereza tinha sete anos e ela mesmo sem saber "adotou" essa irmã, com certeza foi uma superproteção, como ela, Tereza não foi criada pela mãe pois "papai do céu" tinha outros planos, ela de uma certa forma em sua cabecinha infantil ela  protegeu a irmã com medo que acontecesse a mesma coisa com a Claudinha, vamos trata-los assim, fica mais informal.
 Logo na sequência nasceu o Bellini, que a Tereza também o trouxe para si, parecia a história da galinha que queria ver seus pintinhos sobre as suas asas.Brincava com seu irmão mais velho de nome Mozart às gargalhadas ouvindo Ruanita Banana, um sucesso Mexicano antigo que eles, crianças não sabia a tradução mas era uma música muito engraçada, e sonhava com o príncipe encantado ouvindo Roberto Carlos em companhia do pai e do irmão.
 Mas amenina cresceu...
E a avó, envelheceu...
 A "menina" virou mulher, mas continuou a ser a "mãe" dos seus irmãos, até e principalmente do irmão mais velho, se formou, virou psicóloga, mas "ralou" muito até conseguir se formar, sofreu humilhações dentro da própria família, trabalhou em shopping, virou "sacoleira" pois vendia roupa de porta em porta para poder se virar! Trabalhou como instrumentadora cirúrgica, mas foi a luta, era guerreira era digamos assim uma "sobrevivente"! E essa menina sobreviveu, é um espírito de luz. Saiu da casa do pai junto com sua avó pois a nova madrasta "veladamente" e ardilosamente fez o pai acreditar que seria melhor, e no fim foi mesmo, fez com que esse anjo de luz crescesse espiritualmente e na matéria também, ficando assim seu pai em sua casa com sua nova esposa e enteado, e Teresa e sua avó em um bairro mais distante, isso fez com que o amor que existia entre aquelas duas, avó e neta, crescesse mais ainda, eram como alma gêmea!
  Os primeiros pacientes de Teresa foram seus irmãos e como essa galera precisava de ajuda e precisa até hoje! O irmão mais velho ainda não se encontrou e pelo jeito nem vai se encontrar, é um adulto pensando que é criança e nunca foi nada na vida; acho que ele de tanto ouvir isso, que não seria "nada na vida", que acabou virando um "nada"! Outro irmão tem "distúrbios" de achar que é outra pessoa, normalmente de novela, e mania de grandeza, o outro não pede ajuda, mas ás vezes precisa, afinal todos precisam!





















  Mas eram crianças felizes, muito felizes apesar dos percalços e das diferenças que tinham uns com os outros, mas isso todos irmãos no mundo tem, mas no final tudo acaba em pizza, e se precisar um SEMPRE ajuda o outro! Tipo assim: Se um tá na merda e não puderem ajudar, vai todo mundo pra merda junto, pois são uma família! Olha que coisa legal!!
 A menina casou-se, com um cara nota 1.000 de nome Carlos e constituiu uma família deste casamento! tem dois filhos lindos de nome João Pedro e Alice, popularmente conhecida como "Rainha"! Até acho que em outra vida deve ter sido uma Rainha, pois como gosta de mandar, KKKKK!!!



































  Quantas situações essa "menina mulher" viveu e passou, momentos alegres de medo de desespero de emoções e muita, muita felicidades! Amigos que se foram, pois não eram amigos eram só conhecidos, tipo de pessoas que passam pela vida da gente meteoricamente, quando nos damos conta já passou e nós nem percebemos ou sentimos a falta. Mas outros ficam guardados em nossos corações para sempre! Parodiando Chico Buarque, ficam grudados em nosso corpo como tatuagens! Esses são os verdadeiros amigos! Não digo família, irmãos, estes tem obrigação de ser amigos, afinal ao reencarnarem pediram para nascer nesta família e terem esses pais e esses irmãos; logo vieram para resgatar algo que não ficou bem resolvido no passado, em outra vida, mas amigos mesmo, verdadeiros de afeição as pessoas tem poucos, muito poucos e Teresa tem até hoje amigos, que a acompanharam ao longo da vida se não me falha a memória há mais de trinta longos anos, amigos que riram e choraram juntos, tiveram medos e incertezas na hora de uma prova no colégio, exultaram de alegria ante a um resultado positivo, e choraram umas com as outras por um namoro terminado! Isso é AMIGO!

  Parabéns minha irmã, eu te adoro e te amo de "montão"! Você sempre foi minha confidente, minha psicóloga, meu esteio. Sempre foi mais que uma irmã, talvez seja minha alma gêmea! Quando eu tô puto às vezes lembro de você do seu sorriso, das palhaçadas que digo ao João, das brincadeiras que faço com a "rainha" Alice e dos conselhos "toques" que meu amigo Carlos me dá e eu fico mais calmo! Queria muitoooooooo estar perto de você, aliás de vocês, minha família, quem sabe um dia eu volto!
Não coloquei mais fotos, mas você sabe por que.
PARABÉNS PRA VOCÊ, NESTA DATA QUERIDA MUITAS FELICIDADES, MUITOS ANOS DE VIDA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
















terça-feira, 20 de novembro de 2012

MUDEM AS LEIS!!

  Estou indignado com o que está ocorrendo em São Paulo, ocorre também no Rio de Janeiro, no Espírito Santo é coisa corriqueira, no Nordeste já é cultural e agora pasmem já está se espalhando pelo sul do Brasil. A banalização da vida, onde a vida humana é usada para se lutar por uma causa que é ao meu modo de ver é totalmente errada. Abro o jornal, vejo na internet e nos programas jornalísticos que pessoas não morrem de causas naturais ao contrário, morrem de"baciadas", normalmente para mais de dez, se for policial então o índice aumenta. Pasmem, a onda agora é matar policiais, que absurdo meu Deus! Os policiais ganham mal pra cacete, põe o seu corpo para nós, cidadãos de bem, ficarmos protegidos para eles levarem para casa R$ 2.350,00 fora o desconto ou a sua farda e a bandeira do Brasil quando são mortos em confronto com marginais, essa segunda opção quem recebe é a família. E as ditas autoridades, fazem o que para ajudar essas pessoas? Nada, respondo eu! Mas vejam que absurdo, se os policiais matarem um bandido e algum fdp filmar, ferrou,entra a turma dos direitos humanos, sociólogos, que só protege bandidos e caem de pau em cima dos policiais até fazerem eles serem expulsos da corporação com a ajuda da imprensa. Pois a imprensa adora mostrar o "lado lúdico, o lado humano" (se é que isso existe) dos bandidos e execra os policiais. Ai eu me pergunto: Se um dia, um desses bandidos, invadirem uma casa de um desses tais da turma dos direitos humanos, e assaltassem, estuprassem a mulher a filha com o cara olhando. Será que ele olharia para esses bandidos com o mesmo olhar da piedade, compreendendo-os e tentando ajuda-los? Porra nenhuma! Eles vão querer o sangue do indivíduo, comer o fígado dele! Eu NUNCA VI nenhum desta "turma" em um enterro de um policial protestando pois um policial morreu, mas se morrer um bandido e ele se for "famoso", fodeu!
  Ao invés de nossos governantes ficarem roubando os nossos impostos, nosso suado dinheiro, colocando milhões no bolso e escarnecendo de nossa cara que votamos e colocamos eles no poder, vide o escândalo do mensalão, onde o mentor, o rei da quadrilha dizia que não sabia de nada, armasse a policia para eles poderem combater esses bandidos, pagasse bem a um policial, para ele não ser obrigado a morar na favela e ter até que esconder a farda com medo da morte e represálias a seus filhos e esposa, seria muito melhor.
  O governador não precisava gastar muito com armamento, era só pegar as armas apreendidas em blitz, ou no estouro de uma "boca de fumo", renumera-las e entregar à policia, afinal é a mesma arma que os governantes deixam entrar! A chefia da quadrilha vem lá "de cima", do alto escalão do governo!
  Bandido com 14 anos é bandido! Dificilmente se recupera um "garoto bandido" deste! Esse moleque é envolvido em sequestro, "boca de fumo" e assalto, tá acostumado a ganhar muito, não vai se contentar com R$ 622,00 por mês, trabalhando oito horas! Esse dinheiro, R$ 622,00 ele ganha por dia de quatro horas "trabalhada"! Esse "garoto bandido" vai preso, mas sabe que quando completar dezoito anos tá na rua de novo, com a ficha limpa como se fosse um cidadão normal. Isso quando no dia seguinte ao ser preso ele pode ir para a rua, pois o cidadão honesto que paga seus impostos para o governo roubar, tem medo de denunciar o cara, aí o vagabundo é solto.
  Tem que reduzir a maioridade, com quatorze o "garoto bandido" é bandido, "cana" neles! Essa molecada faz cada barbaridade, e tem sangue nos olhos, é bicho ruim! Com quatorze anos tem que responder processo! É um bandido, não é menor! Ou melhor é um menor bandido, tem que apodrecer na cadeia!
  Os governadores de cada estado podiam fazer passar pelo congresso e ser aprovada, a prisão perpétua e a pena de morte. Os bandidos iam ter medo! Tem que passar o medo para o outro lado, o lado dos marginais! A merda é que se fizer isso, a prisão perpétua, Brasília acaba! E é o seguinte, prisão perpétua e agrícola! Se o vagabundo quiser comer, vai ter que plantar e colher, para eles e para nós! Para acabar com esse absurdo de nós pagarmos mais de R$ 900,00 por cada preso. Acabar com indulto, pois a prisão é perpétua. Contato com familiares só através de um vidro e no máximo dez minutos. Acabar, fazer com que o preso não tenha contato manual com mais ninguém, só com os eles mesmos dentro do presídio. Acabar com o chamado "seguro", onde um preso em desavença com o outro ou de outra facção, ou estuprador ou matador de policiais, seja isolado dos demais; põe tudo junto, deixa um "resolver"o problema com o outro!
  Se for feito assim, vai parar de entrar celular na cadeia, pois o policial ganhando bem não vai se bandiar para o lado da vagabundagem e os advogados e familiares não vão ter contato com o preso.
  O Coronel Ubiratan Guimarães fez um puta favor a sociedade e na primeira instancia foi condenado a 632 anos, depois os desembargadores caíram na real e absolveram ele. A equipe dele matou 111, mas poupou a vida de mais de 2.000.

  Hoje em dia, o bandido pega 100 anos de cadeia, se ele se "comportar" bem, tem os indultos, tipo dia das mães, natal e etc. Normalmente o vagabundo foge, se não fugir e se comportar bem, que vamos e venhamos não é mais que a obrigação dele, ele cumpre um terço da pena e tá livre para assaltar, chacinar, estuprar, vender droga de novo, matar. E a família que ele destruiu, através de uma morte, uma chacina, foda-se? É isso mesmo, foda-se? NÃO!!! Pena de morte! Mata o vagabundo e manda os próprios presos enterrarem.
  Isso que eu estou escrevendo é um sonho, é lógico que essas leis não vão vigorar jamais no Brasil, isso é coisa de pais de primeiro mundo, pais sério. Um pais sério paga aos seus policiais U$ 3.497 isso em inicio de carreira, depois passa a aproximadamente U$ 4.750. Um cara que ganha isso parceiro, não se corrompe.
  Eu acho que essas leis não se implantam no Brasil, pois não dão voto! Os nossos governantes contam com o voto não da massa carcerária, mas dos amigos e parentes dos presos!








  Aí somos obrigados a ver uma cena desta acima. Não tinha um puto dos direitos humanos, sociólogo, padre a protestar neste enterro!
  um "famoso" e conhecido bandido disse que ele pode entrar numa cadeia e matar um policial, mas o policial não pode entrar na cadeia e mata-lo (o bandido), pois a obrigação do estado é protege-lo!! Dorme com esse "barulho".
  População, vamos a rua protestar! Esquecer futebol, copa do mundo e protestar ajudar a fazer uma catarse em nossos governantes! Volto a repetir, fazer o medo virar para o outro lado, o lado dos bandidos!
  Pena de morte, prisão perpétua já! Reduzir a maioridade penal para quatorze anos. Eu quero ter o direito de ir e vir, sem ter a minha casa vigiada com câmeras, muro alto com grade! O cidadão de bem é que está ficando refém e preso em casa, com grades, cachorros, câmeras em casa e vigilante nas ruas! Basta! Pagamos nossos impostos que são abusivos para termos no mínimo segurança! A bosta é que os maiores ladrões estão no congresso, eles é que financiam o PCC o CV, a coisa está tão engendrara tão arraigada em nosso sistema, que os líderes de cada facção já pagam faculdade do próprio bolso, para seus asseclas criminosos de hierarquia inferior se formarem e  assim conseguir cargo em Brasília para exercer o poder paralelo, deixando entrar armas, drogas e etc.
  Sou a favor da prisão perpétua! Perpétua e agrícola, plantou come, não plantou morre de fome que aliás é um favor.
  Voltando ao assunto do indulto. O cara mata, acaba com a ida de toda uma família! Por ter matado a mãe ou o pai de alguém e se se comportar direito, pode sair no natal, dia das mães na páscoa. E as pessoas que esses marginal assassinou? vão receber a visita de quem? Dos parentes destruídos chorando no cemitério.
  "Autoridades", parem com esse papo de "mensalão" essa baboseira que não vai dar em nada pois o "cabeça" o chefe não vai ser preso nunca afinal ele não sabia de nada, né?, o "brasil" é país governado por corruptos e quem entrar nessa corja mais cedo ou mais tarde vai ser corrompido, então façam um favor a nação fazendo esse favor, podem roubar à vontade afinal nós votamos nos senhores para isso! Para sermos roubados pelos senhores! Mas pelo menos não é empunhando uma arma de fogo. Então senhores "bandidos" do poder, votem e deixem passar a lei da prisão perpétua, façam uma espécie de adendo na lei dizendo que não se aplica à políticos! Nos concordamos com esse adendo pois só assim seremos roubados por uma classe só, a de vocês! Mas prendam esses assassinos covardes e se livrem deles com uma lei mais contundente. Se pegou cem anos de cadeia e já tem cinquenta de idade, pra que deixar esse marginal preso, comendo o nosso dinheiro? Pena de morte de presente para ele! Vai ser seu indulto de natal! Tem quatorze anos e já é assassino, foi julgado e pegou oitenta de cadeia, pena de morte também, afinal quase ninguém vive essa idade toda. Prisão perpétua tem que ser em solitária, aquela maravilhosa suíte de um por um e noventa e dois de altura com um banheiro e um diminuto buraco para o bandido ver o dia passar, até por que esse vai ser o seu "banho de sol".
  Mudando a constituição e obviamente as leis, faremos o medo passar para o outro lado, o lado dos marginais. Bandidos sempre hão de existir, mas com essa mudança, a molecada que esta pensando em passar para o outro lado, entrando no mundo do crime, vai pensar dezenas de vezes.






















domingo, 4 de novembro de 2012

QUASE EREMITA...

  Estava com a impressão, que estava esta na hora de juntar seus "cacos", pegar suas coisinhas e pôr em uma pequena mochila e sumir! Estava com vontade de só pôr nesta mochila coisas ruins e adversas para que  não cometesse-as de novo e não faça as pessoas sofrerem.
  Todo mundo nasce com um prazo de validade definido e o seu, tinha a clara impressão que já estava se esgotando! Queria acreditar que ficara vivo pois tinha uma "missão" a cumprir, porra nenhuma, ficou vivo pois o médico era ótimo e desempenhou muito bem seu papel, ficou vivo pois a equipe de enfermagem foi nota 1.000 e complementou o trabalho que o médico realizou, enfim, ficou vivo por que ficou vivo! Por que Deus quis!
  Não podia estar com o prazo de validade vencendo e não fazer nada em relação a isso, simplesmente só deixar "passar" e esperar ele vencer e cremarem-no ou o que é pior, enterrarem-no acabando por afundar ainda mais o planeta terra.
 No início as pessoas choram a dor de um ente que se foi, mas passados alguns meses ou anos, o que se escuta em conversa de reunião de família, é que o falecido já foi tarde! Que ele havia se tornado um "estorvo" para a família.
 O falecido ao morrer era um anjo e após alguns meses ou anos, virou um demônio. Não queria que acontecesse com ele também! Queria por a mochila nas costas e sumir, ir para um lugar distante mas ao mesmo tempo perto! Queria pescar o seu peixe e troca-lo por arroz, feijão, alho e quem sabe até carne! Ressuscitar o escambo mesmo e sair trocando tudo.




 Plantar algo para comer, e dormir feliz pra caralho pois estaria  fazendo o que gosta! Ser um eremita! Não ligar mais para futebol pois ele deixa o povo mais ignorante, não ligar mais para política, pois faz o ignorante achar que é inteligente! Não ligar mais para religião, pois todas convergem a Deus!
  Nada de luxo nesse seu pequeno acréscimo de vida, só um quarto e uma cama! um quintalzinho para poder plantar e criar algumas galinhas.
Acompanhar de perto e procurar não perder nenhum, os grandes espetáculos da vida como o nascer e o pôr do sol, para muitos é uma coisa tão corriqueira e estão tão ocupados em seus afazeres ou com tanto sono, que não ligam para esse espetáculo tão grandioso, mas uma pessoa com baixa visão ou um cego, pagariam qualquer valor para não perder, se aparecesse um gênio da lâmpada e este desse três desejos a um cego, o seus pedidos seriam enxergar, enxergar e enxergar! Seguindo essa linha de raciocínio era uma das coisas que não queria perder por nada.

  "Luxos" por assim dizer, queria ter sempre às mãos quando necessário, um aparelho de barba, um cortados de unhas, escova de dentes, mais nada!
  Sim, já estava passando da hora de juntar suas coisas e evaporar,com o tempo as pessoas se acostumam à   sua perda, não podem chorar ou maldize-lo pois não saberão se está vivo ou morto, cada um vai se adequando a suas vidinhas novamente e aí tudo entra nos eixos e ele vai poder viver o resto de vida que sobrou, fazendo as coisas que mais gosta de fazer e nunca fez, seja por falta de opção emocional, financeira, pelo trabalho ou por filhos, vai viver a VIDA, o pouquinho que lhe resta que nem ele sabe quanto é.
  Acordou, tomou seu banho fez a barba pegou a mochila e pôs quatro peças de roupa nela, pôs seu cortador de unhas, e objetos de higiene pessoal, se arrumou, pôs a mochila nas costas e saiu! Sentiu uma lufada gostosa do ar matutino bater em cheio em seu rosto e uma grande sensação de liberdade. Sentiu-se um adolescente com quatorze anos cheio de planos e coisas a fazer e descobrir, atravessou a rua e instintivamente olhou para traz, para sua casa e imediatamente seu pensamentos se ligaram à sua família às pessoas que conviviam com ele. As pessoas que ele amava e ele era amado; não teve coragem de seguir adiante! Voltou para casa, guardou suas roupas, engavetou seus planos de "adolescente" tendo o cuidado de fechar bem essa parte do cérebro para que esses planos não voltassem a atormenta-lo, pôs uma bermuda, e continuou a vida.













quarta-feira, 5 de setembro de 2012

MIGRANTE



 Vim para São Paulo com quinze anos junto com meus pais e uma renca de irmãos, cinco contando comigo, fugindo da seca e fome na Bahia. Somos de Riachão do Jacuípe, uma cidade banhada pelo rio Jacuípe, quando ele existe, quando a seca não vem torrando tudo pela frente, destruindo plantações e matando o gado. A população  de minha cidade é quase todas de "branquinhos" pois temos influência principalmente do povo Holândes, de índios ,Português e logicamente uma mistura que não poderia faltar para dar o tempero final, Negros; que é para ajudar a dar força ao povo nordestino. Sempre digo que somos "negros brancos", pois temos a "raça" e a estirpe do negro, com os cabelos quase palha e olhos claros, por vezes verdes ou azul, dependendo do sol.






O ponto vermelho é minha cidade


                                                            
                                                             Rio secando.



   Papai vendeu as terras, o gado e rumou com todos para o interior de São Paulo para trabalhar como "boia fria" nas plantações de cana de açúcar em mil novecentos e oitenta, na cidade de Palmares Paulista. Percorremos cerca de mil e novecentos quilômetros! Era o boom da cana de açúcar ou se preferirem do Etanol. Carros movidos a gasolina, impulsionando o progresso no país.

   Nós não víamos pai e mãe sair para a labuta pois era muito cedo, só escutávamos as vezes o barulho do caminhão vindo busca-los para mais um dia de "luta" cortando cana.
   Sempre deixavam a mesa posta para nós tomarmos o  desjejum antes da escola, ás vezes era inhame que dava no quintal e em outras também, outras vezes era mugunzá, e em outas também pois tinha uma rocinha de milho que mamãe plantou do lado direito da casa, acompanhado com leite da vaca que papai adquiriu  junto com o bezerro na trocando de seu relógio e na espingarda de dois canos.
   Pai e mãe chegavam em casa à noite, não posso precisar a hora pois a vaca ficou no lugar do relógio, mas pela televisão do vizinho que ficávamos olhando de quina da janela da sala,era na hora da novela.
   Nossa casa era uma casa simples com dois cômodos e era de taipa, a "casinha" ficava do lado de fora afastada uns cinco metros da casa por causa do cheiro forte, tinha um forno a lenha quase que contíguo a casa. Os cômodos eram distribuídos da seguinte forma. Quarto de todos, pai, mão e nós os cinco irmãos cada qual com sua rede, e pai com um lençol dividiu a parte dele com a mãe e colocou as redes separadas. O outro cômodo era a cozinha, com fogão a lenha, uma mesa para nós gigante e diversos bancos toscos de madeira ao redor dela. A água papai puxou de um riacho que corria a mais ou menos trinta metros dali  e passava do lado direito da casa mas fora de nossa propriedade.



Construção da casa





   Ao sair da escola, parava para jogar uma bola ou tomar banho no riacho com os colegas da classe. Como era o mais velho, tinha a incumbência de dar de comer aos meus irmãos menores e a mim também. Era simples a comida, era só fazer um feijão e depois de pronto colocar uma farinha e essa era quase sempre a nossa comida, feijão com farinha acompanhado de... Farinha, essa era a nossa "mistura". Quase sempre eu atrasava a hora do almoço, por causa dos banhos no riacho ou por causa da bola mas ninguém nunca reclamou ou morreu de fome, pai nunca ficou sabendo desta minha estrepolia, eramos muito unidos, um por todos todos por um.
   Tudo corria bem, pai e mãe trabalhando, quase todos os filhos na escola, só dois que não iam, pois eram quase bebes e iam com o pai e a mãe para o corte da cana. Não choravam e mãe parava de quando em vez para dar o peito.
   Nas festas de final de ano, papai quando conseguia economizar algum dinheiro o que era raríssimo, comprava um bode ou um leitão para nós comermos, e era uma festança, dava comida "pra mais de mês", pois mãe punha o que sobrava  imerso na banha para conservar ou salgava, pois em nossa casa não tinha geladeira! Geladeira, televisão, rádio, eram artigos de luxo que nem sonhavam em existir em nosso orçamento.
   Deram-se as primeiras baixas na família. Meus dois irmãos menores que iam com nossos pais para o corte da cana, tiveram febres altíssimas ficaram com o corpo cheio de manchas vermelhas e coçando, pois eles se esfregavam bastante e saía uma espécie de água da parte coçada! Mãe e pai levaram a benzedeira que tinha próximo a nossa casa mas não teve jeito, morreram! Ouvi meus pais dizerem que foi de catapora ou sarampo.
    Meu irmão Sebastião que era um ano mais novo que eu, insistia com pai para deixa-lo ajudar a cortar cana após o colégio, insistiu tanto que era melhor pois seria mais um a ajudar, que mãe estava triste com a perda dos filhos, dois de uma só vez, quase não produzia direito, o patrão estava reclamando, "aperreou" tanto o pai, que ele com muito custo comprou uma bicicleta de "terceira" mão! O freio eram os pés o selim estava todo gasto faltando espuma em algumas partes e com um dos pedais faltando. E lá ia ele após a escola para colheita da cana, pois pai obrigava a todos estudarem! Pai e mãe não sabiam escrever o nome, mas nós não! Nós sabíamos até fazer conta de mais de menos, multiplicar e dividir! Papai queria os filhos letrados, não queria que tivéssemos no futuro o seu fim. 
   Num dia de colheita, num município um pouco distante de casa pois a colheita de cana é feita em diversos pontos, quando se corta tudo em um ponto vai-se para outro lugar. Sebastião foi junto com eles pois era mês de férias. Pai não queria que ele fosse, pois tinha passado de ano na escola com notas boas, inclusive com dez em matemática em todos os bi-mestres, já era considerado um "gênio" entre nós! Mas com Sebastião não tinha jeito, quando ele colocava uma coisa na cabeça, ele fazia, e pai considerava-o um "gênio" e pra não contrariar o quem sabe, futuro "doutor", pai fazia as suas vontades dentro da medida do possível, mas sabe como é, papai simplório, um verdadeiro "matuto" sem saber o significado de nada das coisas escritas com um filho que já sabia ler e fazer "contas"! Na cabeça dele era um prodígio e Sebastião sabendo disto, fazia valer as suas vontades.
   Foram então fazer a colheita da cana em um município distante, foram pras bandas de Araraquara. Vou contar o que ouvi dizer.
   Pai, mãe e Sebastião desembarcaram da boleia do caminhão, com o sol dando os primeiros esboços que seria um dia quentíssimo, não havia uma leve brisa! Era um dia seco e "pesado". O caminhão deixou metade dessa leva de gente, e a outra metade seguiu para se juntar a turma que já estava em São José do Rio Preto. Fazia uns quarenta minutos que o caminhão havia saído e meu irmão ao pegar um feixe da cana para ser cortado com a foice, sentiu uma dor alucinante nas mãos como se tivessem furado seu ante braço com duas agulhas de croche! Tirou rapidamente a mão do feixe de cana mas com a foice firmemente segura na outra mão e ao ver algo se movimentando desceu a foice com vontade e dor, era uma Cascavel! Eles estavam no meio do "nada", o caminhão havia partido para levar outros trabalhadores,e a cidade ficava à trinta minutos de carro dali.













   Hoje, eu sei que não houve tempo hábil para salvar meu irmão, até chegar a pé na estrada, arranjar uma bendita alma que parasse o carro para dar uma carona até o hospital e Sebastião tomar o soro antiofídico que por sinal não tinha e tiveram que pedir no outro hospital mais próximo, foi muito tempo! Ele se foi.  
  Pai e mãe não conseguiam mais se compor, foi um baque extremo para eles e para nós também! Sebastião era o filho que eles depositaram todas as "fichas" que seria alguém muito importante nessa "vida de meus Deus", e para nós, era o nosso companheiro de folguedos, de banhos em rio e de conversas.

   Pai e mãe começaram a beber após a lida, e olha que eu nunca os vi beber até essa desgraça entrar em nossa casa sem pedir licença! Eles nem notaram quando Aparecida, minha outra irmã mais nova, arrumou suas trouxas pegou uma carona e partiu para São Paulo, capital,  na companhia de um caminhoneiro que ás vezes atravessava por essas bandas. Disse para mim que estava cansada desta vida de miséria e de ver os irmãos morrendo como fruta que despenca de uma árvore ao ficar madura! Falou que ia ser alguém na vida e que voltava para buscar painho e mainhã e eu. Tive vontade de acompanha-la, de ir embora dali mas fiquei preso ao chão como raiz de uma árvore, tão profundamente plantada que era impossível me tirar dali.
   Eu sofri muito com a morte de "Tião" mas me resignei. De Aparecida fiquei muito tempo sem vê-la ou ter notícias. Continuava a estudar e agora com mais empenho, com fúria desmedida! Ansiava pelo saber, após as aulas percorria dois quilômetros de bicicleta, aquela mesma bicicleta de meu irmão falecido. Foi a "herança" que ele deixou para mim, segundo meu pai em seu leito de morte. Ia de bicicleta até a biblioteca da cidade para ler, devorava livros, lia Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles,Monteiro Lobato (meu preferido), Clarice Lispector, Jorge Amado,Goethe, Victor Hugo, Miguel de Cervantes, adorava ler Dom Quixote.
No meu subconsciente mesmo sem eu me dar conta, queria substituir Sebastião. Deixei de lado banhos de rio e como só tinha eu em casa durante quase todo o dia e boa parte da noite, pois meu pais depois do trabalho se enfiavam para dentro do "boteco" e ás vezes chegavam em casa "rabiscando o chão" com as pernas, de tão bêbados! O que me intrigava é que eles nunca perdiam a hora de acordar para ir ao trabalho! Quando o caminhão fazia a curva para entrar em nossa rua, com o barulho que todo caminhão velho tem, trazendo além de gente na boleia, os primeiros raios de sol do dia, meus pais já estavam prontos sob o alpendre encostados na varanda, e deixando o café pronto para mim. Vai entender.
   Concluí o ensino médio e consegui imediatamente entrar para uma escola profissionalizante do governo de São Paulo onde só tinham quarenta vagas área, a minha colocação foi primeiro lugar, e o pai quando soube disto, quando soube por mim e pelos outros, subitamente do "nada" parou de beber. Comecei meu curso profissionalizante de Gestão do Meio Ambiente.
   Arranjei um emprego na venda do seu "chico" que me garantia um dinheirinho no final do mês. Lá se vendia tudo, desde Mertiolate, pregos, cimento até cachaça. E eu podia conversar com as pessoas, tentar educa-las ambientalmente já que atendia muita gente na venda.
   Pai parou de beber mas a mãe não, ela estava muito debilitada, não tinha conseguido absorver a morte três filhos, principalmente a de Sebastião e nem a fuga de Aparecida, já não ia mais trabalhar, não comia, muito embora na hora de meu almoço na venda, eu corria até em casa para dar de comida a ela, mas invariavelmente a encontrava no bar e era obrigado a traze-la á força para casa para alimenta-la, começou a falar sozinha, frases desconexas e sem sentido muito embora se ouvia claro e em bom som em uma dessas frases o nome de Sebastião. Sei dizer, que mãe foi definhando, definhando e um dia na hora do almoço fui direto ao bar para traze-la para casa e alimenta-la, mas ela não estava lá, "corri para casa e a encontrei deitada, com o banho tomado de vestido que ela só usava para ir a missa, um leve resquício de maquiagem, perfumada e com uma margarida no lado direito do cabelo, apoiado na orelha com os olhos serenamente abertos, só não respirava mais! À tarde daquele dia, parecia um mormaço de sol apino em que se dá uma preguiça e uma vontade "de fazer nada", e foi o que fiz, só fiquei olhando enternecido para minha mãe!
Pai chegou da roça e não se importou muito, ele podia não ser letrado mas conhecia a vida, sabia que mamãe não iria muito longe bebendo assim. Acho que no enterro eu vi uma lágrima em seu olho esquerdo, mas podia ser uma miragem, pois o sol abrasava os nossos "miolos" às duas da tarde.
   Fomos para casa sem balbuciar uma palavra sequer, cada qual absorto em seus pensamentos e tormentos.
Vimos um carro na porta, o carro era um Corcel, com uma moça apoiada nele, uma moça nova, não tinha vinte anos. De óculos escuros, gargantilha de ouro no pescoço, colares e anéis.
   Era minha irmã Aparecida, ela havia voltado como prometera para nos buscar! De carro, colares, anéis, eu presumo com muito dinheiro! Pai olhou fixamente para ela por uns dois intermináveis minutos, aquele olhar que se tem a impressão que vai "varar" o olho do outro de tão duro e cheio de reprovação e ao mesmo tempo de alívio.
   Abracei minha irmã e me desabei em lágrimas! Lágrimas por Sebastião, por mãe, por ela, Aparecida, ter ressurgido e se materializando a nossa frente, mais bonita, mais Aparecida do que nunca, que só nos detemos neste turbilhão de sentimentos e lembranças, ao ouvir uma espécie de rugido gutural como um animal ferido e agonizante dando adeus à vida! Corremos para ver o que era e ainda deu tempo de ver os pés de papai balançando e uma ponta da  corda retesa, presa numa das travas do alpendre e a outra em forma amarrada em forma de anel em volta de seu pescoço!
   Não sabemos até hoje por que que papai se matou, pode ter sido por desespero pela morte de mãe, ódio pela volta de Aparecida por que viemos mais tarde a saber que papai sabia onde ela estava e o que fazia para ter "enricado" tão rápido sem ter casado ou amigado. Minha irmã apesar de ter nome de santa, era puta, e papai sabia, deve ser por isso que não admitia que tocassem no nome de Aparecida dentro de casa! Se pudesse queria extirpar esse nome da face da terra! Era um nome proibido de ser pronunciado até mesmo por mamãe!
   Quem contou para papai sobre a real e verdadeira situação de Aparecida, foi um velho caminhoneiro que toda semana estava em São Paulo a passeio e para se deliciar a "comer umas putinhas novas" numa tal de Av. Indianópolis, ele comentou que Aparecida se destacava por aceitar até cartão de crédito, com certeza deve ter feito sexo com ela. Só sabemos que essa notícia ajudou a matar papai aos poucos! Foi como matar a "conta gotas", todos os dias através dos anos foi-lhe administrada uma dose de veneno diária, o pensamento o ódio matou papai! Não foi o remorso pela morte de Sebastião ou culpa por ter abandonado mamãe a própria sorte ou até raiva por não ter me dado a devida atenção após eu ter me esforçado tanto para ser igual a Sebastião.
  Cheguei do trabalho às dezessete horas para tomar banho e me arrumar para o último dia de aula. Eu havia completado meu curso, era um técnico em gestão do meio ambiente, me lembro exatamente o dia, era dia vinte e nove de novembro de mil novecentos e noventa, uma sexta feira.

   Enquanto tomava banho "viajava" em pensamento achava que Palmares Paulista era muito pequena para mim e já não fazia sentido estar ali. Foi aqui que perdi quase toda a minha família mas em contra partida foi aqui que trabalhei e me formei. Se tivéssemos ficado na Bahia teríamos morrido de fome. Mas queria trabalhar em minha profissão, ajudar a salvar o planeta, fazer uma faculdade de Engenharia Ambiental e quem sabe ganhar o mundo! Encontrar novamente minha irmã e tira-la das ruas, encontrar e casar com uma mulher decente que me amasse e me desse filhos, comprar uma casa de verdade para mim e sair dessa casa que só nos trouxe mais dor e sofrimento do que alegria! Nesse frenesi de pensamentos terminei meu banho e saí correndo só de cuecas para entrar em casa e me arrumar, quando vejo de soslaio o carro de Aparecida estacionado no portão. Já fazia oito meses que eu não à via, desde a morte da mãe e do desfecho trágico de pai, ela havia desaparecido novamente indo para São Paulo e continuado a "fazer a vida" segundo fiquei sabendo.
   Entrei pela cozinha e dei de cara com ela e o amante, namorado ou cliente se beijando ! Um beijo com sofreguidão onde as línguas se misturavam se entrelaçando com volúpia! Mas em contra partida era um beijo terro, beijo de namorados, beijo de uma irmã que veio ao interior de São Paulo encontrar o irmão para contar que não era mais puta, que havia encontrado um homem que sabia da mancha em sua história mas estava disposta a aceitar, veio para a formatura do irmão com o belo presente de ter mudado de vida, e com uma vaga de emprego para o irmão à tira colo, pois sabendo de sua formatura através de contatos que ainda mantinha em Palmares Paulista, conseguiu um cargo de estagiário em uma grande empresa através do futuro marido. Não sei por que achei que esse homem que estava com ela era o tal caminhoneiro que havia contado para o papai da situação de Aparecida em São Paulo e momentaneamente fiquei louco, virei um verdadeiro animal colérico e
 desci  afoice Que era de papai! Primeiro em Aparecida, não sei por que, mas ela foi a primeira a ser atingida! Não posso precisar quantos golpes eu dei, depois ataquei o namorado de nome Humberto com tantos golpes que quase separei seu tronco do resto do corpo, tamanha era minha fúria e violência. Fúria da vida, fúria pela perda de meus irmãos principalmente de Sebastião, raiva de Aparecida, dó de maínhã que morreu bêbada de tanta raiva que tinha da vida que tinha.Papai dizia que menino não pode chorar e eu só chorei quando revi Aparecida no enterro de mamãe, não chorava, tinha que mostrar que era homem e homem não chora, não chora mas mata!
   No julgamento e pela televisão é que fiquei sabendo realmente quem era Humberto e as intenções nobres dele, mas era tarde.
   O advogado de defesa disse que eu estava "possuído" e que naquele momento eu não estava provido de minha consciência. Mas eu digo, eu agi com uma mistura de raiva-ódio e impotência.
   Se tudo der certo e eu me portar bem, daqui à quatro anos e cinco meses eu vou serei solto, pois como atenuante eu tenho residência fixa sou primário, mas prefiro morrer, não me restou nada neste mundo, só ficou eu e os fantasmas que eu vejo toda noite na minha cela, uns chorando e outro querendo vingança.