Vamos ao que interessa, eu tenho um vizinho já um senhor de idade, um mulato com a "carapinha" toda branquinha de nome Alfredo. Apesar dos cabelos denunciarem a sua idade, ele era muito jovial, vivia com sua bicicleta pra cima e pra baixo, não desgrudava dela por nada. Ele ia de Santana,que é uma região de São Paulo capital até a Praia Grande, noventa quilômetros!
Não se sabe porque, seu Alfredo tinha o estranho apelido de "cheiroso", e é lógico ele abominava quando o chamavam assim, xingava, tacava pedra na molecada da rua, era um inferno! Sinal que o apelido não foi dado por seu Alfredo ser realmente um homem cheiroso. Era o seu Alfredo despontar na esquina com sua bicicleta, que alguém gritava "CHEIROSO" e esses gritos espalhavam-se pela rua vindo de diversos cantos e casas, parecia coisa combinada, seu Alfredo chegava e os gritos de "cheiroso" se espalhavam. No início eu descia, falava com a molecada para não fazer isso, pedia para respeitar os mais velhos, e mostrava que seu Alfredo poderia facilmente ter a idade para ser avó deles, Depois de toda essa conversa o glorioso apelido de "cheiroso" era abolido por no máximo uma ou duas semanas, depois como por encanto, voltava de novo e era gritado a plenos pulmões, "CHEIROSO"!!
"Cheiroso", ou melhor seu Alfredo, conhecia muita gente, era aposentado, trabalhou a vida toda na Dataprev e resolveu arriscar, se filiou a um partido político e candidatou-se a Vereador, sob que alcunha? "Cheiroso" ! Distribuía "santinhos" com a sua foto e em vez do seu nome, lia-se: Vote em cheiroso!
Não preciso nem dizer que o apelido perdeu a graça, acabou virando alcunha política e "Cheiroso" ganhou a eleição! Sabem como é, brasileiro vota em qualquer coisa em sinal de protesto, até o "Tiririca", o Clodovil e o Lula ganharam!
Morava em nossa rua uma moça que devia ter no máximo vinte e seis anos. Mulata, seios fartos, alta e com uma bunda simplesmente fantástica, cabelos que chegavam quase que eroticamente a tocar nela, e olhos verdes. De cima de casa que ficava um nível mais alto que a rua, tipo um segundo andar, eu ouvia a molecada falar de seus atributos. Era uma espécie de "amante dos moleques", pois todos já haviam se masturbado pensando nela e fazendo mil loucuras pelo que eu escutava em fragmentos de conversa. Tinha descendência italiana por parte de pai e negro por parte de mãe.
Bem, não se sabe o porque, ou até se sabe, mas não querendo ser maldizente, seu Alfredo, agora "Cheiroso" conseguiu a façanha de "casar" juntar-se a Ginnabertta, esse era o nome da mulata que ensandecia a molecada e por que não dizer, a nós adultos também. O que que um cargo e dinheiro não fazem! Um senhor com seguramente com mais de setenta anos conseguir " com a casar-se" com a voluptuosa Ginnabertta.
Tudo estava dando certo na vida de seu Alfredo; casamento, cargo político, era adorado na rua, pois mandou asfalta-la, essa era uma revindicação antiga dos moradores, mandou limpar e planar um terreno baldio e colocou traves e marcou um campinho de futebol! Mandou colocar duas lixeiras e regularizou a situação de uma creche que estava irregular a anos! Pronto, tava garantida mais uma eleição! O "cheiroso" foi devidamente e subitamente sepultado e nasceu o Alfredo, "o amigo do bairro"! Nós só não entendiamos o que seu Alfredo fazia nas alcovas com um "furacão" como Ginnabertta, a mulata de parar o transito!To vindo para casa após o trabalho e vejo uma turba na porta da casa de seu Alfredo, pessoas chorando se descabelando, homens incrédulos, a molecada assanhada e assustada ao mesmo tempo, uma balbúrdia só; Seu Alfredo havia morrido! Morte súbita, o coração simplesmente parou. O comentário que "rolava" na rua, é que morreu de preocupação com algum projeto, mas a boca miúda dizia-se que ele não aguentou o "tranco" com Ginnabertta. Mas tudo não passava de suposições.
Seis meses depois, a senhora Ginnabertta estava jogando fora algumas coisas e eu pude perceber três sacos de lixo, desses que são de supermercados que agente leva a compra e depois serve para colocar lixo. Com diversas embalagens de remédio dentro. Esperei ela se afastar e fui examinar o conteúdo dos sacos, tal qual um Sherlock Holmes, utilizando o recurso da leitura e da investigação, e fiquei abismado com o que vi! Tinham seguramente umas cem embalagens de Viagra e umas vinte de Cialis. Fiquei atônito, seu Alfredo morreu por amor!
Estava tomando café na varanda quando vejo Ginnabertta dobrar a rua, com seu vestido de chita, batom e poca maquiagem, cabelos negríssimos balançando ao vento que soprava aquela hora da tarde, quando escuto alguns gritos tímidos mas que vão tornando-se vozes da molecada.
"Ginnabertta cheirosa"
Pronto, tinha herdado o apelido!

Já te disse pra revisar...
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